Em Posse

Dilma exalta Lula e critica divulgação de grampos; deputado protesta e é expulso de cerimônia

"As circunstâncias atuais me dão a magnífica chance de trazer para o governo o maior líder político desse país"

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SÃO PAULO – Em discurso de posse de Luiz Inácio Lula da Silva como ministro da Casa Civil, Dilma afirmou que o petista é o maior líder político do país. “As dificuldades, muitas vezes, costumam criar oportunidades. As circunstâncias atuais me dão a magnífica chance de trazer para o governo o maior líder político desse país”.

Ela acrescentou que Lula, além de ser grande líder político, é um grande amigo e companheiro de lutas. “Seja bem-vindo, querido companheiro ministro Lula. Eu conto com a experiência do ex-presidente Lula, conto com a identidade que ele tem com esse país e com o povo desse país. Conto com sua incomparável capacidade de olhar nos olhos do nosso povo, de entender esse povo. A sua presença aqui, companheiro Lula, mostra que você tem a grandeza dos estadistas. Prova que não há obstáculos à nossa disposição de trabalharmos juntos pelo Brasil.”

Os presentes à posse no Salão Nobre do Palácio do Planalto, em sua maioria representantes de movimentos sociais e sindicais, interromperam o discurso da presidente com palavras de ordem e gritos de “Ole, ole, ole, olá, Lulá, Lulá”, “O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo”, “A verdade é dura, a Rede Globo apoiou a ditadura”.

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Divulgação das gravações
A presidente criticou as delações “seletivas”, publicadas para a “execração” de alguns pessoas envolvidas. “Não há Justiça quando a Constituição é aviltada”.  A conversa telefônica entre o ex-presidente e Dilma foi gravada às 13h32 de ontem. A presidente Dilma disse que estava enviando um emissário para lhe entregar o termo de posse no comando da Casa Civil da Presidência para ele usar “em caso de necessidade”, o que foi visto como uma possível indicação de que ela o nomeou como ministro para tentar evitar a sua prisão. 

“O Brasil não pode se tomar submisso a uma conjuração que invade as prerrogativas constitucionais da Presidente da República. Se ferem as prerrogativas da presidente, o que farão com a dos cidadãos?”, questionou. Ela ressaltou que teve um diálogo “republicano” com o ex-presidente, e que o diálogo foi editado e adulterado.

Sobre o termo de compromisso, a presidente disse que seu documento tinha a assinatura de Lula, mas não a sua. “Isso não é posse”, disse. Dilma cita que a esposa de Lula, Marisa, está doente, e por isso ele não poderia comparecer à posse. Porém, afirmou, Lula veio à cerimônia para mostrar sua disposição de integrar o governo. 

“Convulsionar a sociedade brasileira” viola direitos e “abre precedentes gravíssimos” afirmou. “Os golpes começam assim”, completa. “Nossa obrigação é enfrentar essa situação que ameaça degradar a Constituição e a Justiça.”

Deputado protesta 
O deputado Major Olímpio (SD-SP) foi expulso da cerimônia no Palácio do Planalto após gritar por várias vezes “vergonha”, durante a posse do ex-presidente no cargo de ministro-chefe da Casa Civil. Em resposta, diversos presentes o chamaram de golpista, enquanto os seguranças o retiraram do local. O incidente ocorreu logo no início do discurso da presidente.

Aos gritos de “Não vai ter golpe”, “Lula guerreiro do povo brasileiro” e de “Dilma Guerreira, mulher brasileira”, Dilma e Lula foram recebidos pela plateia, no Salão Nobre do Palácio do Planalto. A assinatura do termo de posse foi feita às 10h40.

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