Presidente afastada

Dilma elogia trabalho de Meirelles, mas diz que inflação cai por mérito de seu governo

"As condições para a inflação cair foram sendo construídas durante meu governo", afirmou, dizendo crer que o arrefecimento dos preços abre a possibilidade de corte de juros

SÃO PAULO – Apesar de ainda falar em golpe e estar lutando para retomar o posto de presidente, Dilma Rousseff não acha que tudo está ruim com o governo interino. Nesta terça-feira (12), em entrevista na Rádio Capital, de São Paulo, a petista fez um elogio pessoal ao atual ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, mas não poupou críticas à política econômica do governo em exercício. 

Durante a conversa, a presidente afastada ainda aproveitou para reivindicar para si a baixa da inflação e disse crer em uma derrota do processo de impeachment no Senado. “As condições para a inflação cair foram sendo construídas durante meu governo”, afirmou, dizendo crer que o arrefecimento dos preços abre a possibilidade de corte de juros.

Perguntada sobre o porquê de ela não ter indicado o economista para o ministério da Fazenda, como foi amplamente sugerido pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e por integrantes do então governo petista, Dilma foi econômica e se limitou a dizer que Meirelles “é uma pessoa competente na área dele”. “Eu não considero que Henrique Meirelles representa este governo como um todo”, complementou.

Dilma, no entanto, criticou propostas de redução de gastos com saúde e educação e disse que o governo Temer está tratando a meta fiscal de 2016, que prevê déficit de até R$ 170,5 bilhões, como um “cheque em branco”. Ela ainda aproveitou para criticar novamente o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), responsável pela abertura do impeachment contra ela.

“Eu tenho divergências com Cunha desde quando ele assumiu a liderança do PMDB no meu primeiro mandato, por não concordarmos em vários projetos, como no caso do marco regulatório dos portos”, afirmou.

Por fim, ela disse crer que vai reverter o placar do impeachment no Senado e que vai voltar à presidência no final de agosto. “Quando voltar, vou ter de enxugar muita coisa, tem muita coisa errada sendo feita”, afirmou, em referência às propostas de cortes de recursos para a educação e a saúde. “Tenho uma obrigação e missão, porque o Brasil passou por uma ruptura democrática e sou responsável por colar isto de volta”, finalizou a petista.

Com Agência Estado