Fala muito

Dilma e Mantega fazem declarações polêmicas a respeito da economia brasileira

Ministro afirmou que imagem do Brasil é positiva e que inflação e resultado fiscal serão positivos, enquanto a presidente destacou a revisão do PIB de 2012 para 1,5%

SÃO PAULO – O cenário brasileiro não é considerado dos mais positivos: a inflação segue em alta, o PIB (Produto Interno Bruto) está fraco, a balança comercial segue negativa, o resultado primário está deficitário, entre diversos outros problemas. Mas parece que nem todos esses dados negativos conseguem tirar o otimismo do ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Durante a manhã desta terça-feira (26), o ministro se reuniu com a diretoria executiva da CNI (Confederação Nacional da Indústria) e após o encontro fez diversas declarações sobre o atual momento econômico do País, se mostrando bastante otimista de que inflação e resultado fiscal serão bons, aproveitando ainda para afirmar que o Brasil está melhor que outros países em seu crescimento.

E o pensamento positivo não vem apenas do ministro. A presidente Dilma Rousseff também aproveitou o momento de divulgação do reajuste do PIB do ano passado para se mostrar otimista com o País. Veja abaixo o que cada um deles falou:

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Inflação
Em relação à inflação, Mantega afirmou que ela está controlada e “bem-comportada”. Ele citou o IPCA-15 de novembro que ficou em 0,57%, abaixo da expectativa do mercado financeiro. Para o ministro, a inflação fechará o ano semelhante à de 2012 e abaixo do limite da meta pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que é 6,5%.

Mantega acredita que no ano que vem o resultado será melhor, se não houver aumento de preços dos alimentos provocado por problemas climáticos.

Resultado fiscal
O ministro estimou que o resultado fiscal brasileiro deste ano será bastante razoável, dentro dos limites estabelecidos. Ele lembrou que 2013 foi um ano difícil, por causa da seca que, ao final, levou o governo a fazer gastos extras, como os da Conta de Desenvolvimento Energético.

“Só isso vai nos consumir cerca de R$ 15 bilhões (R$ 10 bilhões para a CDE e R$ 5 bilhões com medidas para o enfrentamento da seca na Região Nordeste). São gastos extraordinários, que não esperávamos”, disse Mantega. O ministro destacou que o governo está revisando gastos, como, por exemplo, os do seguro-desemprego, de modo a controlar a conta, que “subiu bastante neste ano”.

“Certamente não vamos fazer um primário cheio, mas o governo federal se compromete a fazer R$ 73 bilhões com o Governo Central (Previdência Social, Banco Central e Tesouro Nacional). Estamos perseguindo esta meta. Se os estados e municípios fizerem mais, poderemos ter este resultado satisfatório”, disse. Para ele, o resultado deverá permitir mais uma vez a redução do dívida líquida no país.

Brasil “bem na foto”
Considerando um cenário mais amplo, o ministro afirmou também que “o Brasil está saindo bem na foto”. Mantega usou a expressão para destacar que o crescimento brasileiro está “um pouco melhor” do que o de boa parte dos demais países e com trajetória de recuperação.

“A indústria terá crescimento razoável neste ano, mas ainda deixa a desejar. Queremos mais e estamos neste caminho. O investimento está sendo muito bom, com crescimento de até 6% em comparação ao do ano anterior, e vai ser dinamizado pelas concessões que estão se realizando”, acrescentou ele.

O ministro destacou a importância da viabilização de concessões como as dos aeroportos de Brasília e de Campinas e Guarulhos, em São Paulo. Mantega citou também o Campo de Libra, no pré-sal, além de um trecho da BR-163 em Mato Grosso, cujo leilão está previsto para esta quarta-feira (27). “O Brasil tem projetos atraentes para apresentar aos investidores, e eles estão vindo. Continuarão vindo para viabilizar o programa de concessões. E, até o final do ano, teremos mais duas ou três estradas”, completou.

De acordo com o ministro, até o final do ano, deve sair a 12ª rodada de gás de 2013. “O Brasil tem gás de xisto e poderá promover investimentos e, além disso, temos feito várias concessões na área de energia”. Segundo Mantega, as concessões que não forem concretizadas neste ano ficarão para o próximo. “Vamos começar o ano realizando novos leilões de concessões de modo que, até o final de 2014, elas já estejam produzindo investimento no pais”. Ele enfatizou que as concessões serão o principal polo de atração do investidor e de crescimento da economia brasileira nos próximo anos.

Mantega ressaltou ainda a recuperação do comércio varejista e o bom nível de emprego, com expectativa de recuperação da massa salarial e do consumo. Sobre a agricultura, o ministro disse que o setor continua bem. “Podermos fechar o ano com um desempenho razoável e com o cenário mudando para melhor”, afirmou.

Vale lembrar que em setembro, a The Economist resolveu relembrar uma matéria de 2009 onde elogiava a economia do Brasil, mas dessa vez a publicação se mostrou bastante descrente com o cenário nacional. Nas semanas seguintes, o The New York Times e o Wall Street Journal também fizeram matérias críticas ao País.

Dilma e o PIB
Já a presidente Dilma Rousseff afirmou, em entrevista ao jornal espanhol El País, que a economia brasileira teve seu crescimento revisado para 1,5%, ante o 0,9% divulgado inicialmente. “Esta semana resolveram reavaliar o PIB. E o PIB do ano passado, que era 0,9%, passou para 1,5%”, disse ela na entrevista publicada nesta terça.

“Nós sabíamos que não era 0,9%, que estava subestimado o PIB. Isso acontece com outros países também. Os Estados Unidos sempre revisam seu PIB. Agora nós neste ano vamos crescer bem mais do que 1,5% –resta saber quanto acima”, acrescentou.

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgará em 3 de dezembro os dados relativos ao PIB brasileiro do terceiro trimestre de 2013, bem como possíveis revisões de leituras anteriores sobre a atividade econômica.

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