Entrevista ao Valor

Dilma diz que Temer é medroso e dispara: Cunha está dizendo que o hoje presidente roubava na Caixa

Em entrevista ao Valor, ex-presidente ainda afirmou que impediu Moreira Franco de roubar

SÃO PAULO – Em entrevista ao jornal Valor Econômico, a ex-presidente Dilma Rousseff afirmou que o seu capítulo preferido é o das perguntas de Eduardo Cunha a Temer, parte das quais foram vetadas pelo juiz Sergio Moro.

“Quando li a primeira vez, lá sabia quem era José Yunes [ex-assessor da Presidência]? Mas lá está Eduardo Cunha dizendo que quem roubava na Caixa Econômica Federal, no FGTS, é o Temer. Leia, minha filha. Não tenho acesso às delações, mas sei o que é um roteiro. E lá está explícito roteiro da delação de Eduardo Cunha. Explícito. Alguém não sabe que o Cunha está dizendo que não foi o Yunes, mas o Temer?”

Ela ainda contestou as notícias de que Michel Temer seria um presidente habilidoso. “Temer é um cara frágil. Extremamente frágil. Fraco. Medroso. Completamente medroso. Padilha não é. A hora em que ele [Temer] começa assim [em pé, mostra as mãos em sentido contrário, com os dedos apertados em forma de gancho]. É um cara que não enfrenta nada!”.

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Dilma que ainda que impediu o ministro Moreira Franco, que é atualmente da Secretaria-Geral da Presidência, de “roubar” quando ele integrava o seu governo. “O gato angorá [Moreira Franco] tem uma bronca danada de mim porque eu não o deixei roubar, querida. É literal isso: eu não deixei o gato angorá roubar na Secretaria de Aviação Civil”, afirma Dilma. “Chamei o Temer e disse: ‘Ele não fica. Não fica!’. Porque algumas coisas são absurdas, outras não consegui impedir. Porque para isso eu tinha de ter um nível de ruptura mais aberto, e eu não tinha prova, não tinha certeza, entendeu?”, disse ela.

Moreira Franco rebateu a acusação em entrevista à coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo, afirmando que as acusações são infundadas e que ela deixou um legado de desemprego e crise econômica. 

Dilma também disse que não iria “assaltar o país”, ao se aliar com Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e seus correligionários. “Eles assaltam o país. Assaltam. Do verbo assaltar. Além de outras coisas, né? Ele tem uma postura, em relação a direitos, coletivos e individuais, extremamente sectária.”