Diz Rubens Figueiredo

Dilma da campanha e a realidade: “felizmente, ela está indo para o melhor caminho”

Depois de atacar propostas de Aécio, Dilma contradiz sua campanha e eleva juros; para cientista político, uma coisa era a campanha, agora ela vê que precisa ter uma postura administrativa

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SÃO PAULO – Passado a eleição, a presidente Dilma Rousseff (PT) vem tentando adotar um tom mais brando com o mercado, sinalizando que terá um diálogo aberto enquanto circulam rumores de que ela poderia escolher um ministro da Fazenda da iniciativa privada. Atitudes demonizadas durante sua campanha mas que agora parecem ser as mais acertadas no campo de vista administrativo, diz Rubens Figueiredo, cientista político formado pela USP (Universidade de São Paulo), que participou nesta quinta-feira de evento na capital paulista patrocinado pela AsBEA (Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura). 

“Dilma adotava uma postura eleitoral, cujo objetivo era sensibilizar o eleitorado, principalmente aqueles de base mais pobre (que são a maioria), e ganhar as eleições. Agora tem a Dilma que precisa ter uma postura administrativa. Ela precisa equacionar fatores referentes à macroeconomia, como conter a inflação”, comentou Figueiredo, em menção à inesperada elevação da taxa Selic na última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) encerrada ontem.  

Durante a campanha, Dilma acusou o oponente Aécio Neves (PSDB) de que uma eventual alta dos juros geraria recessão e desemprego. Passados quatro dias da eleição, o BC anunciou alta dos juros de 11% para 11,25% ao ano – a maior patamar em três anos. Mas, “felizmente, ela está indo para essa caminho, que é o mais saudável”, destacou o cientista político.  

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Em relação à indicação de um novo ministro da Fazenda, Figueiredo acredita que ela vai escolher um ministro que sinalize ao mercado que o Brasil vai se estruturar do ponto de vista macroeconômico. “Ela ganhou a eleição, não poderá ser candidata na próxima. Ela não é tem quadro político forte. Quando Lula se elegeu, ele foi convidar um banqueiro. Acho que é o momento adequado para ela fazer isso”, disse.