Radar Político

Dilma colocou Levy na “geladeira”, diz jornal; enquanto isso, Mantega desabafa…

Enquanto ganhou destaque na imprensa a notícia de que Dilma estaria impaciente com ministro da Fazenda, Mantega escreveu um artigo em sua defesa; Lava Jato e ameaças à Dilma também ganharam destaque no final de semana

SÃO PAULO – Enquanto os mercados mundiais se voltaram para a Grécia, o final de semana foi bastante agitado na política brasileira. Em destaque, está a notícia do jornal Folha de S. Paulo de que a presidente Dilma Rousseff tem dado pouca atenção ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e mostrado impaciência com ele. 

Dilma não estaria nem mesmo respondendo aos inúmeros e-mails de Levy. Além disso, nas reuniões internas do governo, Levy tem sido questionado pelos colegas e por Dilma. “A discordância aumentou à medida que a crise econômica acelerou a queda na popularidade de Dilma Rousseff. Auxiliares definem o “climão”. Há apenas seis meses no cargo, Levy foi parar na “geladeira”, afirma o jornal.

Segundo o jornal, os ministros explicam que tem sido difícil para ela renegar as suas próprias convicções para devolver, com um ajuste fiscal que condenaria, a estabilidade econômica. 

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Levy já foi visto se referindo ao PT como “aquela agremiação” e também não esconde, por vezes, o aborrecimento com o partido do governo, contrário a várias medidas de ajuste fiscal.

Enquanto o clima é tenso entre Dilma e Levy, em artigo também para a Folha, o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega reagiu em meio às hostilidades que vêm sofrendo em público. 

“Há algo diferente no ar. Algo que ameaça essa pluralidade. Trata-se do fantasma do autoritarismo, raiz de golpes, que, infelizmente, se manifesta de forma corriqueira, sempre pronto a agir no dia a dia das pessoas”, diz ele.

E afirmou: “qualquer cidadão brasileiro tem o direito de discordar do que fiz quando fui ministro da Fazenda, mas agressões e injúria são atos inaceitáveis”.

Além disso, Mantega defendeu o seu legado: “em nove anos à frente do Ministério da Fazenda, esforcei-me para aumentar o emprego e expandir a produção do país, mesmo num cenário de grave crise internacional, que aliás ainda não acabou.

“O resultado foi que o PIB cresceu, a renda subiu e a situação dos brasileiros, ricos ou pobres, melhorou. Apesar dos problemas que nós e outros países enfrentamos, o Brasil deu um salto de qualidade e nos tornamos a sétima economia do mundo”.

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Lava Jato e tensão sobre Dilma
Além disso, outra notícia ganhou destaque. A de que Marcelo Odebrecht, presidente da Odebrecht que foi preso no último dia 19 no âmbito da Operação Lava Jato, teria dormido pelo menos quatro noites em corredor da Polícia Federal.

Ele quis falar com um policial e pediu que deixasse aberta a porta da cela onde está preso há duas semanas, na sede da Polícia Federal, em Curitiba. Queria circular pelo menos no corredor. Lá, passou as primeiras quatro noites na cadeia; ele foi um dos presos que dormiram nos colchões colocados no chão do corredor devido à superlotação da carceragem.

Seguindo as notícias sobre a Operação Lava Jato, destaque para documentos revelados pelo dono da UTC, Ricardo Pessoa, revelando uma conta secreta na Suíça que abasteceu a campanha de Lula em 2006.

Foi destaque ainda notícia de que as principais lideranças da oposição e do PMDB discutem abertamente dois caminhos possíveis movimentos para deflagrar a queda de Dilma já em agosto. Há quem defenda a cassação da chapa Dilma-Temer no TSE e a convocação de novas eleições em três meses e outros que defendem uma “saída Itamar”, com a saída da presidente e Temer assumindo como um governo de repactuação nacional.

Durante a convenção do PSDB, mesmo evitando a palavra impeachment ao dizer que “não cabe ao PSDB antecipar a saída da presidente. Não somos golpistas”, o senador tucano Aécio Neves afirmou que o governo Dilma pode ser mais breve do que alguns imaginam. 

E o clima de tensão continua neste início de semana. O “Valor Econômico” registra que o agravamento da crise coloca de fato em risco o mandato de Dilma e diz que a presidente aposta todas as suas fichas no PMDB. Porém, o próprio PMDB é parte também da crise – e tem interesses de longo prazo que vão além das conveniências da presidente Dilma Rousseff. Vide as pressões para que Michel Temer deixe a coordenação política do governo até outubro.