Polêmica com Santander

Dilma afirma ser inadmissível a interferência do setor financeiro na política

Em sabatina para a Folha, a presidente falou sobre a polêmica envolvendo o Santander e ressaltou que adotará uma postura clara em relação ao banco

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SÃO PAULO – Além de diversos assuntos, como Israel, economia, entre outros, em sabatina realizada pela Folha, em parceria com UOL, SBT e Jovem Pan, a presidente Dilma Rousseff também falou sobre a polêmica envolvendo o informe do Santander, que associava uma piora na economia à vitória da presidente.

Dilma afirmou ter recebido um pedido de desculpas, que definiu como “protocolar”, do Banco Santander e afirmou que adotará uma posição clara em relação ao banco.

“Acho inadmissível para qualquer país aceitar qualquer nível de interferência de qualquer integrante do sistema financeiro de forma institucional no sistema político”, afirmou, destacando que há um “jogo de pessimismo inadmissível” nas projeções do mercado financeiro sobre o quadro eleitoral. A presidente afirmou ter recebido desculpas do banco e disse que conversará primeiramente com a instituição antes de definir alguma posição, não descartando a probabilidade de processar o Santander. 

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“Usam-se dois pesos e duas medidas para avaliar o meu governo. Há um pessimismo com a economia do mesmo jeito que havia contra a Copa. A economia vive de expectativa”, alegou a presidente. Para ela, o momento da economia brasileira acompanha as dificuldades de recuperação das demais nações mundiais após as fortes turbulências da crise financeira de 2008. “Nos países desenvolvidos, há uma modestíssima recuperação. Nenhum país se recuperou. Não é uma situação como se esperava no começo do ano”, observou.

Os efeitos prolongados de um dos momentos mais delicados da economia mundial recente teria, segundo Dilma, justificado a situação do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) – um dos pontos mais criticados de seu governo pelo mercado financeiro. “Nos países do G20, fomos um dos que mais cresceram”, defendeu Dilma. Além disso, a presidente alegou que o mecanismo de resposta adotado pelo governo com relação às fortes turbulências do mercado mundial não respingou no desemprego e no poder de compra do consumidor.

Outro ponto considerado por muitos especialistas como sensível da atual gestão presidencial, a inflação, também foi assunto ainda no primeiro bloco da sabatina. Na visão de Dilma, não houve erros no combate à elevação expressiva dos preços, mesmo com o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) ameaçando superar o teto da meta – 6,5% ao ano.

“O sistema de metas foi criado em 1999. Nesses 15 anos, em 12 deles a inflação esteve acima do centro da meta. Em 5 esteve acima do limite superior da banda, se considerar 6,5. Nós estamos naquele momento, ela ficará abaixo do limite superior da meta”, argumentou.