Desincompatibilização, convenção e mais: datas-chave do calendário eleitoral de 2026

Calendário eleitoral começa a se desenhar no primeiro semestre, com foco na definição de candidaturas e impactos políticos e econômicos

Marina Verenicz

TSE (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
TSE (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

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O calendário eleitoral de 2026 começa a ganhar contornos mais definidos a partir do primeiro semestre do próximo ano e será determinante para esclarecer as principais incógnitas da sucessão presidencial.

Entre elas, a mais aguardada diz respeito ao futuro político do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que terá de decidir se disputa a reeleição no maior colégio eleitoral do país ou se entra de vez na corrida ao Palácio do Planalto.

O marco inicial dessa definição é o prazo de desincompatibilização. Pela legislação eleitoral, ocupantes de cargos no Executivo que pretendem concorrer a outro posto precisam deixar suas funções até seis meses antes da eleição. Na prática, isso significa o início de abril de 2026.

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A partir dessa data, governadores, ministros e secretários que desejem mudar de cargo terão de se afastar oficialmente, tornando pública a escolha que hoje ainda é tratada como hipótese.

A decisão é acompanhada de perto pelo mercado financeiro, que vê em Tarcísio o nome com maior capacidade de diálogo com empresários e investidores, além de um perfil associado à previsibilidade econômica. Qualquer sinalização mais clara tende a produzir efeitos imediatos nos ativos, como já ocorreu em outros momentos de definição eleitoral.

Uma eventual saída do Palácio dos Bandeirantes para disputar a Presidência deve provocar rearranjos tanto no cenário político quanto nas expectativas econômicas para 2026.

Próximos passos

Após a fase de desincompatibilização, o calendário avança para o período das convenções partidárias, quando as siglas oficializam seus candidatos e alianças. Tradicionalmente, essas convenções ocorrem entre o fim de julho e o início de agosto. É nesse intervalo que os partidos definem chapas, coligações e estratégias finais para a disputa.

Encerradas as convenções, os partidos têm até meados de agosto para registrar oficialmente as candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral. A partir desse momento, a Justiça Eleitoral passa a analisar se os candidatos cumprem todos os requisitos legais, incluindo condições de elegibilidade e eventuais pendências judiciais.

Também ao longo do segundo semestre entram em cena as obrigações relacionadas à prestação de contas. As campanhas precisam apresentar relatórios parciais de arrecadação e gastos durante o período eleitoral, além da prestação final, entregue após o pleito. O cumprimento dessas etapas é essencial para evitar sanções e questionamentos futuros.

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A campanha eleitoral em rádio e televisão começa oficialmente algumas semanas antes do primeiro turno, marcado para o início de outubro de 2026.

Até lá, o calendário funciona como um roteiro que organiza o jogo político e reduz o espaço para ambiguidades. Em especial, o prazo de desincompatibilização tende a ser o momento decisivo para respostas que hoje ainda alimentam especulações — sobretudo sobre quem, afinal, estará disposto a trocar cargos consolidados por uma aposta nacional em 2026.