‘Descer pra BC’: regras para orla do Rio usou como inspiração Balneário Camboriú

Estatuto da Orla está desassociado de decreto de Eduardo Paes que está gerando polêmica com suas restrições

Orla de Balneário Camboriú (Reprodução)
Orla de Balneário Camboriú (Reprodução)

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O decreto de Eduardo Paes (PSD), que proíbe música ambiente e ao vivo nos quiosques da orla, entre outras 15 restrições, provocou uma forte reação. Nesta terça-feira, na Câmara Municipal, numa audiência pública marcada antes mesmo da publicação do decreto, para discutir o Projeto de Lei 488, de 2025, que institui o Estatuto da Orla, vereadores da base e da oposição criticaram o rigor das medidas determinadas pelo prefeito.

Essa medida — desassociada do decreto — é inspirada na orla de Balneário Camboriú, conforme admite o vereador Flavio Valle (PSD), autor do projeto. As medidas da cidade catarinense, no entanto, são amplamente criticadas por geógrafos.

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O Estatuto da Orla propõe, entre outras medidas, padronização de chuveirinhos, instalação de pontos de hidratação, de bicicletários, restauração de escadas e corrimões e aumento da faixa de areia de Ipanema e Leblon.

— O Rio tem um estilo de vida único, e qualquer regulamentação deve respeitar essa espontaneidade e a vibração cultural. A música, a pluralidade gastronômica e a ocupação da orla fazem parte da experiência carioca. O Estatuto busca um ordenamento equilibrado. Estou em diálogo direto com o prefeito para que possamos ajustar — disse Valle, que também é presidente da Comissão de Turismo e se mostrou a favor de ajustes na proposta do executivo

No Palácio Pedro Ernesto, a discussão teve alto quórum. De Carlo Caiado, presidente da Câmara dos Vereadores, a dezenas de barraqueiros, foi unânime a opinião de que o decreto precisa ser revisto. As medidas determinadas por Paes também foram alvo de protesto de comerciantes, contrários à substituição dos nomes das barracas por números, outra das novas regras.

Paralelamente à medida do executivo e à discussão dos parlamentares, uma ação do Ministério Público Federal pede a demolição de quiosques que ocupam irregularmente faixas de areia no Rio, o que chama atenção para a urgência de ordenamento nas praias.

Na Justiça

Ainda sobre o decreto de Paes, nesta terça-feira, o Instituto Brasileiro de Cidadania (Ibraci) entrou na Justiça com uma ação civil pública pedindo a suspensão de artigos que vetam a execução de música nos quiosques, alegando que a medida compromete o livre exercício da atividade econômica. Procurada, a prefeitura informou que ainda não foi notificada da ação.

Leonardo Bessa, músico que trabalha em quiosques como o Samba Social Clube, lamentou a publicação antecipada do decreto que, segundo ele, prejudica financeiramente os artistas. Na audiência da Câmara, músicos que trabalham na orla, todos de preto, fizeram protestos. Em cartazes e ao entoar o samba, eles pediram: “Não deixe o samba morrer”.

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— Durante a pandemia, a classe dos músicos foi a que mais sofreu. E, até hoje, em qualquer problema relacionado a som, o músico é culpado. Isso nos atinge financeira e culturalmente. A gente luta dia a dia para levar o pão para casa. A orla é um grande palco. Temos uma grande possibilidade para nosso trabalho, para alimentarmos as nossas famílias. Os músicos precisam trabalhar. Uma semana já tem um impacto muito grande no nosso dia a dia. Esse decreto foi divulgado sem ninguém ter sido ouvido — lamentou Bessa.

Na reunião, também foi criticado o artigo do decreto que substitui os nomes das barracas por números e determina a retirada de suas bandeiras. Vereadores presentes, como Talita Galhardo (PSDB), e representantes de barraqueiros criticaram a medida, que segundo eles vai contra uma identidade cultural do Rio. Na tribuna, manifestantes seguravam cartazes com os dizeres “Não somos apenas números” e “Somos ponto de referência, base de segurança no maior ativo turístico do Rio de Janeiro”.

O presidente da Câmara, Carlo Caiado (PSD), anunciou a criação de uma comissão de representação e frisou que uma reunião com o prefeito Eduardo Paes tratará de ajustes na proposta:

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— Estamos criando a comissão pelo diálogo e pela centralidade. Nesse sentido, o diálogo com o prefeito sempre foi bom.