Sem pânico

Derrota histórica do Brasil na Copa não deve prejudicar Dilma em tentativa de reeleição

Goleada aplicada pela Alemanha no Brasil deve causar apenas um breve mergulho nas pesquisas e não afetará a eleição

10 de julho –  A presidente Dilma Rousseff desfrutou de um apoio crescente antes das eleições de outubro porque o Brasil organizou a Copa do Mundo sem grandes problemas. A pergunta é se sua ascensão nas pesquisas sobreviverá à surra levada pela seleção brasileira nas semifinais.

Embora os mercados tenham subido ontem com a especulação de que a derrota de 8 de julho vá prejudicar Dilma e ajudar um candidato que intervenha menos na economia, o analista político João Augusto de Castro Neves disse que a derrota provavelmente causará um breve mergulho nas pesquisas e não afetará a eleição. Neves, que trabalha para a empresa de consultoria política Eurasia Group em Washington, não alterou sua previsão que dá à atual presidente uma chance de 70 por cento de vencer a eleição em outubro.

O iShares MSCI Brazil Capped ETF registrou ontem o maior avanço em um dia, em um período de três semanas, de 1,5 por cento. Os recibos de depósito americano da estatal Petrobras subiram 3,5 por cento e as ações da também estatal Banco do Brasil SA subiram 1,3 por cento. A Bolsa de Valores de São Paulo estava fechada em razão do feriado estadual e reabrirá hoje.

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“Isso tem um impacto de curto prazo que não é relevante para a eleição”, disse Neves, por telefone, de Washington. “A maior preocupação de Dilma é a economia”.

O crescimento da sétima maior economia do mundo irá desacelerar para 1,35 por cento neste ano, contra 2,49 por cento em 2013, ficando atrás da média latino-americana em mais de meio ponto porcentual, segundo analistas consultados pela Bloomberg. A inflação acima da meta e um incremento de 3,75 pontos porcentuais na taxa de juros de referência desde abril de 2013 ajudaram a empurrarr a confiança do consumidor para o nível mais baixo em cinco anos.

Prejuízo político
Nem todos os analistas pensam que Dilma escapará de um prejuízo político advindo da derrota por 7 a 1 do dia 8 de julho, a pior da história do Brasil em Copas do Mundo. O Brasil enfrentará a Holanda em Brasília, no dia 12 de julho, na disputa pelo terceiro lugar.

“Esse tipo de derrota — tão inesperada e tão dura em sua natureza — pode ter ultrapassado o limite do que é normal e pode acabar tendo um impacto mais duradouro”, escreveu Tony Volpon, diretor de pesquisa de mercados emergentes da Nomura Holdings Inc., ontem, em uma nota técnica.

A assessoria de imprensa da Presidência não respondeu a um e-mail em busca de comentário sobre as perspectivas de Dilma para a eleição após a derrota da seleção brasileira de futebol.

Algumas pessoas que estavam no estádio durante a partida contra a Alemanha vaiaram Dilma, que havia prometido organizar a “Copa das Copas”.

“Meus pesadelos nunca foram tão ruins”, disse Dilma a respeito da derrota em uma entrevista postada no site da CNN ontem, acrescentando que os brasileiros irão se recuperar. “O fato é que o Brasil organizou e foi palco de uma Copa do Mundo, que eu acredito que é uma das melhores Copas do Mundo”.

Gasto público
Seu apoio entre os eleitores para a eleição de 5 de outubro subiu de 34 por cento em junho para 38 por cento, segundo uma pesquisa do Datafolha publicada no site da Folha de São Paulo. Aécio Neves, do Partido da Social Democracia Brasileira, o PSDB, tinha 20 por cento, total acima dos 19 por cento registrados anteriormente, segundo a consulta realizada nos dia 1 e 2 de julho com 2.857 pessoas. A margem de erro é de dois pontos porcentuais.

Muito da decepção com a derrota da Copa do Mundo irá se dissipar até o momento de os brasileiros formarem filas nas urnas, daqui a três meses, segundo André César, diretor de política pública e estratégia empresarial da firma de consultoria Prospectiva.

“A organização da Copa, por si só, foi bem”, disse César, por telefone. “Em termos eleitorais isso foi mais importante do que o resultado”.