Derrota do governo na prorrogação da CPMF não afeta nota do Brasil, diz Fitch

Sólido avanço nas contas externas ofusca danos na política fiscal interna; decisão reflete conflito político negativo

SÃO PAULO – A derrota do governo na tentativa de prorrogar a CPMF, o imposto do cheque, até 2011 não enfraquece a posição da nota soberana brasileira, dado o sólido avanço nas contas externas, embora mostre que o País ainda concentre um grau de instabilidade política no processo de amadurecimento fiscal.

A conclusão é da agência internacional de classificação de risco Fitch, que avaliou negativamente a não manutenção do tributo, que será extinto a partir de 31 de dezembro. A decisão tem um efeito de perdas de receitas sobre o PIB (Produto Interno Bruto) na faixa de 1,4% e deve causar uma redução no superávit primário.

A agência aguarda algum tipo de “Plano B” do governo diante do fato, antes de prever os impactos da medida sobre a perspectiva de o Brasil receber o selo de investment grade, que significa menor chance de o País dar calote em suas dívidas.

Estável

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Diante da deterioração na política fiscal, “se o governo brasileiro optar por cortar gastos ao invés de reforçar a balança externa, é importante focar em redução em despesas correntes e não em investimentos”, considera a agência. A Fitch mantém a nota da nação em perspectiva estável.