Prisão de Cunha

Deputados temem que Cunha delate 100 colegas; Temer ordena “lei do silêncio” no Palácio do Planalto

Conforme informado pelo O Globo, nos bastidores, parlamentares apostam que uma eventual delação de Cunha poderá prejudicar mais de cem deputados que ele ajudou durante a sua ascensão de líder do PMDB a presidente da Casa

SÃO PAULO – O clima segue de tensão no mundo político, com todos os olhos voltados para Eduardo Cunha (PMDB-RJ) após o ex-deputado ter sido preso na última quarta-feira, no âmbito da Operação Lava Jato. Conforme informado pelo jornal O Globo, nos bastidores, parlamentares apostam que uma eventual delação de Cunha poderá prejudicar mais de cem deputados que ele ajudou durante a sua ascensão de líder do PMDB a presidente da Casa. 

Ele é um arquivo vivo, disse o líder do PR, Aelton de Freitas (MG), ao jornal. 

Nos últimos cinco anos, Cunha esteve em cargos de poder que lhe permitiram influenciar em escolhas de relatores de projetos e medidas provisórias estratégicas, além de CPIs. Aliados e adversários apontam ao jornal que ele tem na memória informações sobre negociações feitas para a aprovação de propostas na Casa. Além disso, participou ativamente da articulação para a abertura do processo de impeachment.

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Os políticos também reforçam que Eduardo Cunha não é amigo do presidente Michel Temer. Porém, não negam que, nos últimos anos, ele frequentou rodas de conversa importantes dos caciques da legenda. Por conta disso, o jornal O Estado de S. Paulo informa que o governo tenta evitar que a tensão provocada em Brasília afete o Palácio do Planalto depois da prisão de Cunha, ordenando assim uma “lei do silêncio” entre integrantes do governo sobre o assunto.

A blindagem ao Planalto foi determinada pelo próprio Temer, que deixou Tóquio na manhã de quarta, quando a ordem do juiz Sérgio Moro foi executada. Apesar do pedido para que ninguém comentasse o episódio para evitar levar a crise para dentro do governo, há preocupação com os problemas que Cunha possa criar para Temer e seus ministros, atrapalhando os planos de assegurar a aprovação da PEC do Teto, na semana que vem, e até a governabilidade.