Novo cenário

Depois do rali eleitoral, um “improvável” rali da recessão está por vir, aponta HSBC

Segundo analistas do HSBC, o forte rali eleitoral deve perder forças, mas "rali da recessão" com ajuste fiscal, que deve acontecer independentemente de quem ganhar as eleições, deve dar ânimo para ações brasileiras

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SÃO PAULO – Após o forte rali eleitoral registrado desde a mínima desde 14 de março até o começo de abril – quando o Ibovespa chegou a subir 15% em menos de um mês – , o HSBC acredita que este movimento pode ter acabado. Os analistas André Carvalho e Marina Valle ressaltam que a alta do mercado acionário brasileiro ocorreu em meio à percepção de que um candidato mais ligado ao mercado seja eleito na corrida presidencial mas, este movimento positivo pode ter uma duração só de curto prazo. 

Isso porque, apontam, outros fatores devem pressionar no outro sentido em meio a dois riscos crescentes no mercado: uma possível recessão ainda este ano e o alto risco de racionamento.  

“A nosso ver, o crescimento perderá momento nos próximos trimestres e há um risco de baixa substancial às estimativas do consenso. Os indicadores-chave que sustentam nossa opinião são o aumento dos estoques indesejados e a queda na confiança dos empresários”.

Enquanto isso, o risco de racionamento é grande principalmente por conta do fim da temporada de chuvas, em abril. Entretanto, avaliam, apesar do risco crescente, há uma probabilidade próxima a zero para o anúncio do racionamento de energia elétrica pela presidente Dilma até as eleições de outubro. 

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Carvalho e Valle destacam, por outro, que um outro rali está prestes a acontecer, independente de quem ganhar as eleições em outubro: o rali da recessão, que deve acontecer no segundo semestre. “Acreditamos que o cenário atual deve criar incentivos políticos para a presidente Dilma, aumentando o risco de um aperto fiscal  após as eleições – nosso cenário básico assume  um aperto fiscal que chega a cerca de 1 ponto percentual do PIB (Produto Interno Bruto)”, avaliam os analistas.

Neste ambiente, as contas fiscais são normalizadas por meio da elevação de  impostos, levando a um crescimento mais baixo  do PIB em 2015 e a riscos significativos de uma recessão econômica no país, apontam. 

Apesar de ver uma opinião mais cética quanto ao mercado acionário brasileiro no curto prazo, também caracterizadas por um aumento da volatilidade conforme as eleições se aproximam, os analistas estão mais otimistas quanto ao desempenho das ações após outubro em meio ao ajuste fiscal, mesmo com a queda do desempenho econômico no curto prazo.

Isso deve caracterizar o chamado “rali da recessão”: uma percepção melhorada quanto aos aspectos macroeconômicos pode apoiar uma inclinação positiva no mercado acionário, levando a uma expansão dos múltiplos de avaliação. Além disso, com o cenário básico assumindo um aumento do PIB de 1 ponto percentual no superávit primário em 2015, deve-se chegar a uma inflação reduzida em um segundo momento, o que deve levar a riscos de baixa às taxas dos títulos. 

Os outros aspectos
Marina e Carvalho avaliam que o índice de administração Dilma em 36%, apontado na pesquisa Datafolha do último dia 5 de abril, o indicador risco-retorno do mercado acionário favorece a manutenção do cenário por enquanto. 
Pequenos desvios para baixo podem aumentar substancialmente as chances de uma evolução na  política macroeconômica após as eleições, enquanto que pequenos desvios para cima não alterariam muito a avaliação das eleições presidenciais como uma corrida apertada, ressaltam. 

Enquanto isso, o risco de racionamento de energia é grande, principalmente porque a temporada de chuvas em abril. Porém, apesar do risco crescente, eles atribuem uma probabilidade próxima a zero para o anúncio do racionamento de energia elétrica pela presidente Dilma antes das eleições de outubro. “A principal razão é a experiência de racionamento de 2001, que motivou uma queda de 16 pontos percentuais na popularidade do presidente em poucos meses”, destacou o HSBC. 

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A presidente Dilma, afirmou, pode anunciar em breve novas medidas para diminuir o consumo de energia elétrica e aumentar o fornecimento. Sob o racionamento hipotético de 20%, as simulações do banco sugerem que o crescimento do PIB cairia cerca de 2 pontos percentuais nos quatro primeiros trimestres, provavelmente chegando ao território negativo.