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Depoimentos de investigados no caso do Banco Master que serão realizados na próxima semana devem ser decisivos para a definição dos próximos passos envolvendo a apuração no Supremo Tribunal Federal (STF). A avaliação é de ministros da Corte, que estimam que qualquer eventual solução para tentar diminuir o incômodo gerado pela condução do caso pelo ministro Dias Toffoli deve ocorrer após essa etapa.
Na avaliação de integrantes do STF, com a conclusão dos depoimentos e a análise das provas obtidas será possível ter uma avaliação mais precisa sobre a manutenção das investigações na Corte, ou sua devolução para a primeira instância. Como mostrou O GLOBO, o movimento passou a ser considerado como uma saída para contornar o desgaste gerado por decisões adotadas por Toffoli.

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O caso ficou no Supremo porque o nome de um deputado federal foi mencionado em um material apreendido na Operação Compliance Zero que prendeu o dono do Master, Daniel Vorcaro, conhecido por cultivar uma ampla rede de contatos em Brasília. É possível que, após os depoimentos da próxima semana, haja a conclusão de que não haveria mais necessidade de as investigações seguirem tramitando no STF em razão da ausência de menções a pessoas com foro por prerrogativa de função.
Oportunidade com segurança!
A própria definição sobre os depoimentos gerou atritos com a Polícia Federal, que havia inicialmente determinado que as oitivas ocorressem ao longo de toda a próxima semana, durante seis dias. Toffoli, no entanto, determinou que um novo calendário fosse elaborado pelos investigadores, distribuindo os questionamentos ao longo de dois dias a serem realizados no próprio STF — uma determinação que chamou a atenção de quem está acompanhando o caso, uma vez que as oitivas geralmente são realizadas na PF.
Os depoentes devem ser questionados sobre as provas levantadas pela PF no âmbito das duas fases da Operação Compliance Zero, que foram deflagradas em novembro de 2025 e janeiro deste ano. Na última semana, o Supremo determinou o bloqueio de R$ 5,7 bilhões da conta dos alvos e 42 mandados de busca e apreensão em cinco estados.

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Entre os nove que prestarão esclarecimentos à PF estão ex-sócios de Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master, como Augusto Ferreira Lima, Luiz Antonio Bull, Alberto Feliz de Oliveira e Angelo Antonio Ribeiro da Silva; ex-diretores do BRB, como Dario Oswaldo Garcia Junior, e o atual superintendente de Operações Financeiras da instituição, Robério Mangueira.
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Daniel Vorcaro e Paulo Henrique, ex-presidente do BRB, não devem prestar novos depoimentos. Eles já foram ouvidos no fim do ano passado por determinação de Toffoli.
Os investigadores apuram os crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa na confecção de carteiras de crédito “insubsistentes” do Master ao BRB por um valor de R$ 12 bilhões.