Inquérito

Depoimentos de ministros contrariam versão de Bolsonaro sobre menção à PF em reunião

Ao contrário do que o presidente afirmou ontem, Luiz Eduardo Ramos e Augusto Heleno dizem que Bolsonaro mencionou o a PF ao cobrar relatórios

Bolsonaro fala sobre coronavírus
O presidente Jair Bolsonaro em entrevista a jornalistas em Brasília (Andressa Anholete/Getty Images)
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SÃO PAULO – Em depoimento à Polícia Federal, pelo inquérito que apura suposta interferência do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre a autonomia da corporação, os ministros Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) apresentaram versões que conflitam com declaração dada pelo mandatário sobre a reunião ministerial realizada em 22 de abril.

O encontro foi mencionado pelo ex-juiz Sérgio Moro, que deixou o Ministério da Justiça e Segurança Pública há 19 dias, como indício das acusações de tentativa do presidente em influir nas atividades da corporação.

De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, os dois ministros palacianos afirmaram que Bolsonaro mencionou o nome da PF ao cobrar relatórios de inteligência – ontem (12), o presidente havia dito não ter citado o nome da corporação nem mencionado superintendências no encontro, cujo vídeo faz parte do material probatório das investigações.

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Segundo Ramos, na ocasião, Bolsonaro “se manifestou de forma contundente sobre a qualidade dos relatórios de inteligência produzidos pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência), Forças Armadas, Polícia Federal, entre outros”.

O ministro responsável pela articulação política do governo também teria dito que o presidente sinalizou que “iria interferir em todos os ministérios para obter melhores resultados de cada ministro”.

No mesmo sentido, Augusto Heleno disse que Bolsonaro cobrou “de forma generalizada” todos os ministros da área de inteligência, reclamando de “escassez de informações”.

Já o ministro Braga Netto, conforme noticia o site G1, afirmou que o presidente não mencionou, na reunião, mudança no comando da Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro.

A declaração corrobora com versão do presidente de que sua preocupação era com a segurança da família, e não com investigações. Mas esta é uma atribuição do GSI, e não do Ministério da Justiça ou da PF.

No depoimento, o chefe da Casa Civil disse que Bolsonaro não chegou a demonstrar insatisfação com o então diretor-geral da PF, Maurício Valeixo.

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Réplica
Jair Bolsonaro afirmou, nesta quarta-feira (13), que o ministro Luiz Eduardo Ramos “se equivocou” ao dizer que houve menção à PF na reunião ministerial de 22 de abril. Diante dos desdobramentos, o presidente já não permitiu gravação da reunião de ontem e anunciou que não realizaria mais encontros do colegiado nos moldes atuais.