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Denúncia “tripla” e reformas em risco: futuro de Temer começa a ser definido na próxima semana

Política deve seguir o foco do mercado, mas dados da economia nos EUA e no Brasil não deve sair do radar do investidor

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SÃO PAULO – Diante das incertezas políticas, principalmente após a derrota do governo na Comissão do Senado em relação à reforma trabalhista, o mercado “travou” e entrou em uma espécie de compasso de espera tentando entender o que poderá acontecer daqui para frente não só com as reformas, mas também com o futuro do presidente Michel Temer. E os próximos dias prometem trazer novas emoções neste sentido.

Há fortes rumores no mercado de que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deverá apresentar três denúncias contra Temer na próxima semana, o que deverá aumentar a tensão na política. Segundo a revista Época, a primeira, de corrupção passiva, deverá ser apresentada já na segunda-feira (26).

De acordo com alguns veículos, a tendência agora é que o governo priorize a defesa do presidente. A ideia é reunir os votos na Câmara para conseguir derrubar as denúncias, o que, por consequência, fará com que as reformas, em especial a da Previdência, sejam deixadas para depois. Segundo o G1, a depender da gravidade e se houver uma votação apertada contra as denúncias de Janot, dificilmente a Câmara terá ambiente para discutir um tema tão complexo como a Reforma da Previdência, ainda mais em período pré-eleitoral.

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Este cenário todo deve deixar os investidores mais temerosos já que o governo mostrou ter dificuldade para enfrentar a reforma trabalhista – considerada a mais fácil -, e agora com as denúncias e o adiamento da Previdência, pode aumentar a sensação de que Temer não terá força política para lidar com tudo isso.

Agenda de indicadores
Os destaques da agenda ficam com o exterior, principalmente nos Estados Unidos, onde na quinta-feira (29) às 9h30 (horário de Brasília) será divulgado o PIB (Produto Interno Bruto) do primeiro trimestre deste ano. A expectativa da equipe da LCA Consultores é que a maior economia mantenha o ritmo de crescimento apresentado anteriormente, de 1,2%.

Ainda nos EUA, chamam atenção os discursos de diversos diretores do Federal Reserve espalhados pela semana. Os investidores prestam mais atenção às falas diante de um cenário onde a autoridade mantém sua projeção para mais uma alta de juros este ano, mas os dados da economia indicam que não deverá haver espaço para isto acontecer.

No Brasil, atenção especial para a reunião do CMN (Conselho Monetário Nacional), na quinta-feira, em que além da decisão sobre a TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) para o terceiro trimestre, também será definida a meta de inflação para o ano de 2019.

Segundo a Rosenberg Associados, é provável que haja uma redução para 4,25% ou 4%, ficando em linha com as expectativas já ancoradas do mercado. “A manutenção da meta em 4,5% poderia ser mal recebida pelos mercados, então vale a pena acompanhar a decisão com atenção”, afirmam os analistas.

Destaque também para os dados de desemprego da PNAD Contínua (sexta-feira), que a Rosenberg estima ficar em 13,7%, além do indicador de inflação IGP-M (quinta-feira), e o Resultado Primário do Governo Central (quinta-feira), que deve registrar déficit ao redor de R$ 17 bilhões.

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