Política

Deltan Dallagnol vai deixar força-tarefa da Lava Jato em Curitiba

Deve assumir o cargo o procurador Alessandro José Fernandes de Oliveira, que atualmente faz parte do grupo de trabalho da Lava Jato da PGR

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SÃO PAULO – Coordenador da Operação Lava-Jato em Curitiba (PR), o procurador Deltan Dallagnol vai deixar a força-tarefa após seis anos no comando das investigações. A informação foi divulgada nesta terça-feira (1) pelo Ministério Público Federal. Os motivos alegados referem-se a questões de saúde na família do procurador.

Dallagnol postou um comunicado acompanhado de um vídeo em seu perfil no Twitter confirmando a decisão. Na mensagem, o procurador diz que sua filha, de 1 ano e 10 meses, apresentou sinais de regressão no desenvolvimento e que ele precisaria dedicar mais tempo na condução de tratamentos recomendados pelos médicos.

O Ministério Público informou que deve assumir o cargo o procurador Alessandro José Fernandes de Oliveira, que atualmente faz parte do grupo de trabalho da Lava Jato da Procuradoria-Geral da República (PGR), chefiado pela subprocuradora-geral Lindôra Maria Araújo, tida como braço direito do procurador-geral Augusto Aras.

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“Por todo esse período, enquanto coordenador dos trabalhos, Deltan desempenhou com retidão, denodo, esmero e abnegação suas funções, reunindo raras qualidades técnicas e pessoais. A liderança exercida foi fundamental para todos os resultados que a Operação Lava Jato alcançou, e os valores que inspirou certamente continuarão a nortear a atuação dos demais membros da força-tarefa, que prosseguem no caso”, diz a nota.

A substituição ocorre em um momento de atrito entre a força-tarefa e o comando do MPF. Nos últimos meses, Aras tem buscado centralizar um amplo compartilhamento de dados entre todas as investigações em curso. O movimento tem enfrentado resistência entre as forças-tarefas regionais. O comandante da PGR também fala em “correção de rumos”, o que gerou desconfiança e críticas na corporação.

Além das questões familiares, Dallagnol enfrentava desgaste e respondia a processos disciplinares abertos no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Ele foi um dos principais alvos do vazamento de mensagens divulgado pelo site The Intercept Brasil em 2019.