Operação Lava Jato

Delcídio apresentou diversos elementos que incriminam Lula, afirma Janot

Na véspera, Lula foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República  em um procedimento oculto em tramitação no STF

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SÃO PAULO – Em meio às críticas do ex-presidente Luiz Inácio da Silva após a denúncia apresentada pelo procurador-geral da República contra ele, Rodrigo Janot afirmou que o senador Delcídio do Amaral (sem partido – MS) apresentou uma série de documentos contra o petista. Janot disse que o senador comprovou seu encontro com o ex-presidente para tramar contra a Operação Lava Jato. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Na véspera, Lula foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República  em um procedimento oculto em tramitação no STF (Supremo Tribunal Federal). 

Segundo o ex-líder do governo, Lula o teria incumbido de “viabilizar a compra do silêncio de Nestor” para proteger o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do petista. Em manifestação ao STF, Janot informou: “a respeito desse fato, há diversos outros elementos, tais como e-mail com comprovante de agendamento da reunião entre Lula e Delcídio no Instituto Lula, no dia 8 de maio de 2015; comprovantes de deslocamento efetivo do senador para São Paulo compatível com esta data; outros documentos que atestam diversas outras reuniões entre Lula e Delcídio no período coincidente às negociatas envolvendo o silêncio de Nestor Cerveró, além de registros de diversas conversas telefônicas mantidas entre Lula e (o pecuarista) José Carlos Bumlai e entre este e Delcídio”.

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Delcídio contou em delação premiada que Lula tinha “especial preocupação” com a situação de Bumlai porque eles ficaram muito próximos durante a primeira campanha de Lula à Presidência da República. “Bumlai se tornou o grande conselheiro de Lula, com forte influência em diversos negócios do governo, além de ter sido avalista de um empréstimo milionário obtido pelo PT junto ao Banco Schahin e de ter ajudado a construir, estruturar e organizar o Instituto Lula, entre outros”.

O PGR ainda levou em consideração no pedido as gravações do filho de Cerveró, Bernardo Cerveró, que motivaram a prisão, no ano passado, do senador. Segundo a procuradoria, o senador ofereceu R$ 50 mil por mês para a família de Cerveró e mais um plano de fuga para que o ex-diretor deixasse o país. Os fatos ocorreram em uma reunião na qual estavam presentes Bernardo e Edson Ribeiro, ex-advogado de Cerveró e Delcídio.

Em resposta à denúncia, o Instituto Lula informou ontem em nota que o procurador-geral da República antecipou juízo de valor ao fazer a denúncia e também negou que o ex-presidente tenha ligação com as investigações da Lava Jato. 

“Nos últimos anos, Lula é alvo de verdadeira devassa. Suas atividades, palestras, viagens, contas bancarias, absolutamente tudo foi investigado e nada foi encontrado de ilegal ou irregular. Lula sempre colaborou com as autoridades no esclarecimento da verdade, inclusive prestando esclarecimentos à Procuradoria-Geral da República”, acrescentou o documento. O instituto concluiu a nota afirmando que o ex-presidente Lula “não deve e não teme investigações”.