Corrupção

Delator não confirma doações à campanha de Dilma em ação que quer cassar a presidente

A Corregedoria-Geral da Justiça Eleitoral disse que não há fatos concretos no depoimento de Costa que possam fazer a investigação desses repasses andar para o caso de 2014

SÃO PAULO – Em depoimento para a Justiça Eleitoral no Rio de Janeiro, o delator da Operação Lava Jato, Paulo Roberto Costa não confirmou que tenha feito doações ilegais para a campanha da presidente Dilma Rousseff (PT). Costa reiterou as informações de repasse nas eleições de 2010, mas negou ter conhecimento sobre pagamentos em 2014, segundo notícia veiculada pelo Estado de S. Paulo

O ex-diretor de abastecimento da estatal relatara um pagamento de R$ 2 milhões à campanha da petista em 2010, repasse que teria sido realizado a pedido do doleiro Alberto Youssef, que nega a informação. O valor teria saído da cota do PP no esquema de desvio de verbas em contratos da Petrobras e o pedido foi feito pelo então tesoureiro do PT, João Vaccari, que também foi preso no âmbito da Operação da Polícia Federal. 

A Corregedoria-Geral da Justiça Eleitoral disse que não há fatos concretos no depoimento de Costa que possam fazer a investigação desses repasses andar para o caso de 2014. 

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Movida pelo PSDB, a ação para a qual testemunhou o delator questiona a coligação de Dilma nas eleições por “abuso do poder econômico e político” e “obtenção de recursos de forma ilícita”. O objetivo é obter a cassação do registro de candidatura e da diplomação da presidente Dilma Rousseff e do seu vice, Michel Temer, citando casos de utilização da máquina administrativa e abuso do poder econômico cometidos pela campanha petista.

“A eleição presidencial de 2014, das mais acirradas de todos os tempos, revelou-se manchada de forma indelével pelo abuso de poder, tanto político quanto econômico, praticado em proveito dos primeiros réus, DILMA VANA ROUSSEFF e MICHEL MIGUEL ELIAS TEMER LULIA, reeleitos Presidente e Vice-Presidente da República, respectivamente.

De fato, foram tantos os ilícitos perpetrados que, no curso da campanha, tornou-se possível compreender que se cuidava de uma ação coordenada visando a garantir o êxito do projeto reeleitoral dos investigados, trazendo derradeiras luzes sobre a expressão que, num típico ato falho, foi utilizada pela Presidente DILMA ROUSSEFF ao entregar, ainda em 4 de março de 2013, um conjunto residencial inserido no programa “Minha Casa Minha Vida” em João Pessoa/PB: ‘… nós podemos fazer o diabo quando é a hora da eleição…’”, diz a ação. 

Paulo Roberto cumpre prisão domiciliar em um condomínio na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, desde outubro de 2014.