Delação contraditória

Delator muda versão sobre propina após divulgação de cheque milionário e favorece Temer no TSE

Ex-presidente da Andrade Gutierrez muda versão de propina à chapa presidencial eleita em 2014

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SÃO PAULO – Após afirmar ter pago propina à campanha presidencial de Dilma Rousseff em primeiro depoimento e ser contestado pela defesa da petista, que argumentou que R$ 1 milhão haviam sido doados à campanha do presidente Michel Temer — vice na chapa eleita em 2014 –, o ex-presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo, mudou versão anterior em novo depoimento prestado ao Tribunal Superior Eleitoral. Desta vez, o executivo disse que não houve propina para a campanha da chapa vencedora. 

Conforme conta o jornal Folha de S. Paulo, o depoimento foi tomado pelo ministro Herman Benjamin, como parte da ação movida pelo PSDB contra possíveis irregularidades na campanha da chapa Dilma-Temer. O processo é anterior ao impeachment da petista, e portanto ao embarque tucano à base do atual governo, mas ainda tramita na corte eleitoral e hoje representa um dos riscos políticos enfrentados pelo peemedebista e que podem lhe custar o cargo, muito embora as chances atribuídas ainda sejam classificadas por muitos como baixas.

Na semana passada, o jornal O Estado de S. Paulo apresentou a foto de um cheque de doação nominal da construtora Andrade Gutierrez no valor de R$ 1 milhão a campanha do então candidato a vice-presidente Michel Temer (PMDB) em 10 de julho de 2014, durante a campanha eleitoral. A matéria apresentou controvérsias na versão do ex-presidente da empreiteira, Otávio Azevedo.

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Lembra a reportagem da Folha de S. Paulo desta sexta-feira que a informação de que a doação dos valores supostamente ilegais tenha sido feita via PMDB poderia trazer prejuízos ao governo de Temer. Com a nova posição do executivo, a atual gestão tem motivos para respirar mais aliviada. O advogado da campanha do peemedebista, Gustavo Guedes, disse que o novo depoimento de Azevedo foi uma “retificação” após uma “confusão”. Segundo ele, o delator justificou o erro alegando que, apesar de ter feito a doação ao candidato a vice, recebeu recibos eleitorais emitidos pelo PT e assinados por Edinho Silva, tesoureiro do PT.

“Dos 25 testemunhos de acusação, [o de Azevedo] era o único que dizia que tinha alguma irregularidade na campanha. Hoje, cai por terra toda e qualquer acusação de irregularidade na arrecadação de campanha de Dilma e Michel Temer”, afirmou o advogado da campanha de Dilma, Flávio Caetano.