Operação Lava Jato

Delator diz que protegeu Cunha por medo e Youssef afirma que é intimidado por “pau mandado”

Julio Camargo afirmou que vinha omitindo o nome de Cunha em seus depoimentos sobre o escândalo na Petrobras por temer que o presidente da Câmara retaliasse a sua família; já doleiro afirmou que vem sendo intimidado

SÃO PAULO – O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foi acusado pelo lobista Júlio Camargo, da Toyo Setal, de ter cobrado US$ 5 milhões por propina, o que deve fazer com que o peemedebista oficialize o rompimento com o governo. 

Camargo afirmou que vinha omitindo o nome de Cunha em seus depoimentos sobre o escândalo na Petrobras por temer que o presidente da Câmara retaliasse a sua família, segundo a Folha de S. Paulo. 

“Todo homem que é responsável é obrigado a ter medo e receio. E uma pessoa que age não diretamente, e tem que ameaçar você através de terceiros, já é uma pessoa a quem deve se ter todo cuidado”, disse Camargo. “Estamos falando de uma pessoa que, dizia ele, tinha o comando de 260 deputados no Congresso – e na eleição para líder do Congresso, na minha opinião, isso se constatou”, afirmou.

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Já o doleiro Alberto Youssef afirmou, em depoimento, que ele e sua família vêm sofrendo intimidação por meio de um deputado ligado a Cunha, classificado como “pau mandado” do líder da Câmara.

“Eu venho sofrendo intimidação perante as minhas filhas, perante minha esposa, por uma CPI coordenada por alguns políticos e que, inclusive, o nome de um deles foi mencionado aqui por mim”, afirmou.

Em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro – que conduz os processos da Lava Jato – Youssef atacou Cunha e a CPI. “Eu acho isso um absurdo, eu como réu colaborador quero deixar claro que eu estou sendo intimidado pela CPI da Petrobras por um deputado pau mandado do seu Eduardo Cunha”, afirmou, sem citar o nome do parlamentar.