Corrupção

Delator diz que Odebrecht pagou propina até para índios e integrantes da CUT

"Tribo. Esse cara se tornou até meu amigo, tenho até um cocar lá em casa. O chefe da tribo lá é o Antenor Karitário", disse

Aprenda a investir na bolsa

SÃO PAULO – O delator da Odebrecht Henrique Valadares disse que seu depoimento que a empreiteira fez pagamentos, viz caixa 2, para índios e integrantes da CUT. Segundo ele, sob o codinome “Tribo”, lideranças indígenas receberam depósitos em conta-corrente em pagamentos vinculados ao Projeto Madeira.

O executivo apontou “parcelas de R$ 5 mil para Antenor Karitario (c/c da esposa), R$ 2 mil para Orlando Karitario, R$ 2 mil para a Associação dos Povos Karitianos, e R$ 1,5 para pagamento de pequenas solicitações dos mesmos”. “Tribo. Esse cara se tornou até meu amigo, tenho até um cocar lá em casa. O chefe da tribo lá é o Antenor Karitário”, disse.

Ao Ministério Público Federal, Valadares relatou ainda pagamentos a “Barbudos”, codinome que o delator ligou a um representante da CUT junto ao Sindicato dos Trabalhadores da Construção Pesada em Porto Velho. “Barbudos, esse é fácil adivinhar, eu creio. Isso é para os representantes da CUT locais. A CUT foi o primeiro sindicato a chegar lá e se estabelecer. Estavam todos de olho, não tinha nada na cidade, de repente surge lá um contingente de 25 mil homens numa obra e mais tanto na outra”, afirmou.

Aprenda a investir na bolsa

“O pessoal da CUT costumava cobrar pedágios mensais para eles não apoiarem greves, atos de violência, esse tipo de coisa”, explica o executivo. Além disso, ele apontou pagamentos para “Companheiro”, que seriam diretores de sindicato, buscando que os mesmos não insuflassem os trabalhadores a praticar atos de vandalismo e depredação na obra nas épocas de negociação coletiva, especialmente em virtude do histórico de Jirau.