Lava Jato

Delação de Delcídio cita Aécio Neves em escândalo de Furnas

Em depoimento à Lava Jato, ex-líder petista cita também boa parte da bancada do PMDB em esquemas de propina, segundo revista IstoÉ

SÃO PAULO – Além dos desvios orquestrados pela ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra para as campanhas eleitorais do PT em 2010 e 2014, o ex-líder do governo no Senado Delcídio do Amaral (PT-MS) cita, em acordo de delação premiada, boa parte da bancada do PMDB na Casa, além do senador e líder do PSDB, Aécio Neves (MG), segundo revista Isto É.

Delcídio afirma que em conversa com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante uma viagem a Campinas, o então presidente o questionou sobre quem era Dimas Toledo, cotado para uma diretoria de Furnas. “Um profissional do setor elétrico. Por que o senhor pergunta isso?”, devolveu Delcídio. Em seguida, Lula explicou: “É porque o (José) Janene (ex-deputado, que morreu em 2010) veio me pedir pela permanência dele, depois o Aécio e até o PT, que era contra, já virou a favor da permanência dele. Deve estar roubando muito”. 

Segundo a coluna Radar, da Veja, quem viu os depoimentos não tem dúvida de que o Ministério Público pedirá abertura de inquérito contra Aécio, lembrando que citações anteriores a ele foram arquivadas pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

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O ex-líder do governo ainda afirmou que quando presidia a CPI dos Correios aceitou estender o prazo para que o Banco Rural fornecesse a quebra do seu sigilo bancário, dando assim tempo para o banco maquiar seus demonstrativos contábeis, evitando que o mensalão atingisse o governo de Minas Gerais na gestão do tucano.

Após esse trecho, o nome de Aécio aparece entre parênteses ao lado de Clésio Andrade (ex-vice-governador do Estado). A publicação diz que há dúvidas se eles foram mesmo citados ou se partiu de interpretação dos integrantes da Lava Jato sobre o que Delcídio falou. Clésio, que foi vice de Aécio no primeiro mandato do tucano em Minas Gerais, foi também sócio de Marcos Valério na agência SMPB. Clésio é réu no mensalão tucano.

No PMDB, o alvo foi a bancada sob influência do presidente do Senado, Renan Calheiros, integrada por Romero Jucá (RR), Edison Lobão (MA), Jader Barbalho (PA), Eunício Oliveira (CE) e Valdir Raupp (RR). O ex-líder do governo afirmou, segundo a publicação, que Renan, Jucá e Eunício jogaram pesado com o governo para emplacarem os principais dirigentes das agências nacionais de Saúde Suplementar (ANS) e de Vigilância Sanitária (Anvisa). Com a “decadência dos empreiteiros”, as empresas de plano de saúde e laboratórios tornaram-se os principais alvos de propina para os políticos e executivos do governo, contou. Segundo Delcídio, os senadores também teriam apadrinhado a permanência dos ex-diretores da Petrobras Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa nos cargos.