Lava Jato

Delação da Odebrecht vem com uma metralhadora: “vão pegar Dilma”, diz Sarney em gravação

Em diálogos com Sérgio Machado, Sarney demonstra também sua preocupação com o avanço das investigações sobre o PMDB e que ajudaria o ex-presidente da Transpetro a não ser preso

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SÃO PAULO – Novos diálogos do mais recente delator da Operação Lava Jato, o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, foram revelados pelo Jornal da Globo e Folha de S. Paulo nesta quinta-feira (26). Em trechos de conversas de Machado com o ex-presidente José Sarney, gravadas em março, o peemedebista afirma que a delação que a empreiteira Odebrecht estaria prestes a fazer “é uma metralhadora [calibre] ponto 100” e que teria força suficiente para pegar Dilma. 

Odebrecht […] vão abrir, vão contar tudo. Vão livrar a cara do Lula. E vão pegar a Dilma. Porque foi com ele quem tratou diretamente sobre o pagamento do João Santana foi ela. Então eles vão fazer. Porque isso tudo foi muito ruim pra eles. Com isso não tem jeito. Agora precisa se armar. Como vamos fazer com essa situação. A oposição não vai aceitar. Vamos ter que fazer um acordo geral com tudo isso”, disse Sarney em um dos trechos da conversa. Machado responde na sequência: “inclusive com o Supremo. E disse com o Supremo, com os jornais, com todo mundo”. 

Em outro diálogo, Machado e Sarney comentam as delações premiadas da Lava Jato. O ex-presidente da Transpetro afirma que as colaborações vêm “às pencas”. Sarney responde: “Odebrecht vem com uma metralhadora de (calibre) ponto 100”.

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Sarney também relacionou uma doação de campanha da Odebrecht à presidente afastada. “Nesse caso, ao que eu sei, o único em que ela [Dilma] está envolvida diretamente é que falou com o pessoal da Odebrecht para dar para campanha do… E responsabilizar aquele [trecho inaudível]”.

Ontem, a Folha de S. Paulo revelou outro diálogo que apontava que Sarney prometeu a Machado que poderia ajudá-lo a evitar que seu caso fosse transferido para vara do juiz federal Sergio Moro, em Curitiba, mas sem interferência de advogado. Nas conversas, Sarney deixa claro que concorda com a iniciativa de impedir que o caso de Machado fosse enviado para a vara do juiz Sergio Moro. “O tempo é a seu favor. Aquele negócio que você disse ontem é muito procedente. Não deixar você voltar para lá [Curitiba]”, disse o ex-presidente.

Machado sugere também, em outro diálogo, que o grupo se aproxime do relator da Lava Jato no Supremo, ministro Teori Zavascki. Sarney cita o nome do ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Cesar Asfor Rocha, como alguém que, segundo Sarney, teria proximidade com Teori, e diz que vai falar com ele sobre isso.

Na quarta-feira passada, o ministro Teori Zavaski, do STF (Supremo Tribunal Federal), homologou o acordo de delação premiada de Machado no âmbito da Operação Lava Jato. Além da conversa com Sarney, o ex-presidente da Transpetro também gravou diálogos com o senador Romero Jucá (PMDB-RR), que resultou na saída do político do Ministério do Planejamento, para qual tinha sido nomeado por Michel Temer, e com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PDMB-AL). 

Versão de Sarney sobre as gravações
O ex-presidente da República e ex-senador José Sarney divulgou nota ontem se queixando do vazamento de conversas particulares suas com o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, e afirmando que sua relação com ele é de amizade.

“As conversas que tive com ele nos últimos tempos foram sempre marcadas, de minha parte, pelo sentimento de solidariedade, característica de minha personalidade. Nesse sentido, muitas vezes procurei dizer palavras que, em seu momento de aflição e nervosismo, levantassem sua confiança e a esperança de superar as acusações que enfrentava”, acrescentou Sarney.

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Sarney confirmou ser amigo de Machado “há muitos anos” e disse lamentar “que conversas privadas tornem-se públicas, pois podem ferir outras pessoas que nunca desejaríamos alcançar”. Na quarta-feira, Renan Calheiros também divulgou nota pública sobre conversa sua divulgada também com Sérgio Machado.