Operação Lava Jato

Defesa de Lula pede a Moro mudança nos vídeos da Lava Jato e quer fazer gravação própria

Ex-presidente será interrogado pelo juiz na próxima quarta-feira (10)

SÃO PAULO – Os advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entraram com pedido nesta quarta-feira (3) ao juiz Sérgio Moro para alterar a forma como são feitos os vídeos da audiência da Operação Lava Jato. Lula vai depor ao magistrado no próximo dia 10, em Curitiba.

A defesa de Lula quer que a câmera registre quem está falando, não ficando parada no interrogado e ainda comunicaram que desejam fazer uma gravação própria, com som e imagem. De acordo com informações do G1, até a tarde desta quarta o juiz não tinha se manifestado. 

“Requer (…) captação de imagens das audiências para registro do que se passa em todo recinto onde ela se realiza e direcionamento da câmera à pessoa que está a fazer uso da palavra, não a deixando repousar exclusiva e fixamente na pessoa do interrogado, mas, sim, promovendo a gravação da íntegra do ato, incluindo, mas não se limitando, todos aqueles que fizerem uso da palavra”, diz o trecho da petição apresentada pelos advogados.

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“Isso porque, nos moldes em que atualmente é captada a imagem, focando a câmera exclusivamente os acusados: (i) não há registro fidedigno de todo o ato processual, na sua inteireza e, assim, (ii) viola-se a garantia constitucional da presunção de inocência, externando-se uma imagem negativa do réu, o que se agrava à medida em que o processo é de acesso público e (iii) se propaga uma imagem distorcida dos sucessos verificados na audiência, impedindo que sejam avaliadas a postura do juiz, do órgão acusador, dos advogados e de outros agentes envolvidos no ato, inclusive para fim de valoração da legitimidade do atos pelas superiores instâncias”, aponta ainda o texto.

 O processo em questão trata do suposto pagamento de propina por parte da OAS a Lula. A denúncia contra Lula foi aceita em setembro do ano passado, a partir da acusação de que o ex-presidente recebeu R$ 3,7 milhões em propina por conta de três contratos entre a OAS e a Petrobras. O Ministério Público Federal alega que os valores foram repassados a Lula por meio da reforma de um apartamento no Guarujá e do pagamento do armazenamento de bens de Lula como presentes recebidos no período em que era presidente. O ex-presidente é réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.