Defesa de Bolsonaro deve apresentar recurso mesmo após Moraes encerrar ação

Advogado Celso Vilardi afirma que o processo não deveria ter sido considerado concluído e critica a forma como o STF tratou as manifestações da defesa

Marina Verenicz

Celso Sanchez Vilardi.   Julgamentos da Ação Penal 2668 - Núcleo 1 (Manhã).   Foto: Gustavo Moreno/STF
Celso Sanchez Vilardi. Julgamentos da Ação Penal 2668 - Núcleo 1 (Manhã). Foto: Gustavo Moreno/STF

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A equipe jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro pretende protocolar embargos infringentes no Supremo Tribunal Federal, apesar de o ministro Alexandre de Moraes ter declarado a ação penal encerrada e autorizado o início da execução da pena.

A estratégia foi confirmada pelo criminalista Celso Vilardi, responsável pela defesa do ex-presidente à coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo.

Para Vilardi, o caso não poderia ter sido considerado transitado em julgado porque o prazo para apresentação dos infringentes ainda estava aberto no momento da decisão.

Embora o STF admita esse tipo de recurso apenas quando há dois votos absolutórios — o que não ocorreu no julgamento de Bolsonaro — o advogado afirma que a defesa tem direito de apresentar o pedido antes do fim do prazo formal.

Além da disputa sobre o andamento do processo, Vilardi criticou como o STF tratou a contestação da defesa sobre a prisão preventiva de Bolsonaro, decretada no sábado (22).

Segundo ele, a notificação chegou às 16h30, dando apenas 24 horas para que a equipe jurídica respondesse às razões apresentadas pela Polícia Federal para pedir a detenção do ex-presidente.

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A defesa protocolou a manifestação no domingo (23), ainda que fosse fim de semana, porque o caso seria analisado pela Primeira Turma na segunda-feira (24). No entanto, afirma Vilardi, nenhuma das alegações apresentadas foi mencionada na decisão assinada por Moraes.

à coluna, o advogado avaliou que o modo como o tribunal tratou o recurso preocupa sob a ótica das garantias processuais. “Não se ignora o argumento de uma defesa. Ele pode ser refutado, mas não simplesmente ignorado. Quando isso ocorre, cria-se um ambiente em que o papel da defesa parece menor do que deveria”, afirmou à jornalista.

Vilardi também disse enxergar riscos institucionais no cenário atual. “Isso é ruim para o sistema jurídico — inclusive para quem celebra a prisão neste momento.”

Com o encerramento do processo, Moraes pode iniciar a execução da pena de 27 anos e três meses imposta a Bolsonaro pela participação na tentativa de golpe de Estado. A defesa insiste na via recursal, mas caberá ao ministro decidir se aceitará ou não novos protocolos.