Análise

De olho em reformas, Temer ignora opinião pública e pavimenta apoio no Congresso

O resultado da última pesquisa CNT/MDA, que confirmou o quadro de reprovação popular, com 62,4% de manifestações contrárias, parece não intimidar o presidente

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SÃO PAULO – Tendo em vista os mares revoltos que irá navegar com a tramitação de uma agenda de reformas duras e impopulares, o governo Michel Temer aceita assumir desgaste ainda maior perante a opinião pública com a escolha de Osmar Serraglio (PMDB-PR) para suceder Alexandre de Moraes — agora ministro do Supremo Tribunal Federal — no Ministério da Justiça. A moeda de troca para tal sacrifício seria garantir maior equilíbrio na base aliada, reduzindo o nível de insatisfação da bancada peemedebista na Câmara e, assim, evitar surpresas indesejáveis e caras.

O resultado da última pesquisa CNT/MDA, que confirmou o quadro de reprovação popular, com 62,4% de manifestações contrárias, parece não intimidar o presidente, que se esforça em manter sólidas as pontes com a coalizão que o conduziu à Presidência da República com o impeachment de Dilma Rousseff. O objetivo final é obter êxito em medidas como a Reforma da Previdência e outras propostas em áreas como a trabalhista. A promessa é pôr fim ao cenário de depressão econômica.

A decisão por puxar Serraglio da Câmara à Esplanada dos Ministérios deve ser observada dentro de um contexto formado por outros eventos incômodos à opinião pública: a nomeação de Moreira Franco como ministro e a conquista do foro privilegiado, e a indicação de Alexandre de Moraes para ocupar o assento de Teori Zavascki no STF.

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Reforçam a percepção de que a indicação do deputado não é pessoal, mas 100% política e que deixa de lado qualquer abertura aos anseios populares o histórico recente de Serraglio: no ano passado, como parlamentar, foi alçado ao cargo de presidente da Comissão de Constituição e Justiça após aliar-se ao então presidente Eduardo Cunha (PMDB). Havia a expectativa que o deputado paranaense ajudasse Cunha a adiar o processo de cassação no colegiado. No entanto, mesmo relatório benéfico ao deputado cassado conseguiu evitar o desfecho.

Em meio às especulações sobre iniciativas para prejudicar o andamento da Operação Lava Jato, o nome de um deputado peemedebista aliado a Eduardo Cunha no comando da pasta cujo guarda-chuva abarca a Polícia Federal traz preocupações.