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De Lava Jato a aumento de impostos: as 12 frases de Michel Temer à imprensa

Veja o que disse o presidente interino nas entrevistas concedidas à Globonews e à rádio Jovem Pan

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SÃO PAULO – Confira as principais frases do presidente interino nas duas entrevistas veiculadas entre a noite de ontem e a manhã desta quarta-feira. A primeira, concedida ao jornalista Roberto D’Ávila, da Globonews, e a segunda, à rádio Jovem Pan.

“Depois da decisão do Senado [sobre o impeachment], abre-se um campo muito mais vasto para a governabilidade”. Na medida em que diminui a dependência do peemedebista no voto dos senadores para sua permanência no comando do país, crescem os espaços para a apresentação de uma agenda mais sólida ao Legislativo. O diálogo terá de continuar acontecendo, mas desaparece a espada no pescoço, representada pela possibilidade de reversão de posições de parlamentares no sentido de permitir a volta de Dilma Rousseff à presidência.

“Acho que só poderei pleitear uma reforma da previdência se tiver a efetivação”. Agendas econômicas que tendem a enfrentar maior resistência no campo político devem ficar para o caso de Temer ser efetivado presidente da República. Com o fim do processo de impeachment, espera-se que o peemedebista tenha uma governabilidade mais estável, além de mais espaço moral para promover reformas mais profundas, uma vez que não estará mais com função interina.

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“Não se deve pensar em paralisar a Lava Jato. Tenho pregado a independência das ações e dos Poderes”. As suspeitas de que o governo do presidente interino poderia tentar cercear as investigações reforçam a necessidade de declarações — e sobretudo ações — em defesa da Operação Lava Jato. Desde que assumiu, três ministros já tiveram que deixar o cargo por conta de envolvimento em casos em apuração dos investigadores.

“No instante que comecemos a perceber que temos de prestar obediência e enaltecer a atividade das instituições, estaremos aprimorando uma tentativa do que chamo de uma tentativa de reconstitucionalizar o país”. O respeito à Constituição tem sido elemento narrativo muito presente em seus discursos. Ele contrapõe a versão da presidente afastada Dilma Rousseff, que alega ter sido vítima de um golpe parlamentar. Para além da resposta a essa retórica, Temer tem dado atenção em suas falas à institucionalidade do país.

“Tive informações que a senhora presidente utilizaria os aviões para fazer campanha contra o golpe. Uma situação, pelo menos, esdrúxula”. Uma das etapas comuns para governos que assumem após processos de impeachment é o da legitimação. De um lado, a parte prejudicada tem alegado que houve ruptura da institucionalidade, ao passo que, de outro, argumenta-se que o devido processo legal foi respeitado.

“Não tinha nenhuma objeção à doação de pessoas jurídicas. O que não pode é autorizar a doação para todos os partidos [simultaneamente]”. As eleições municipais deste ano serão as primeiras a proibir doações empresariais de campanha. O presidente em exercício não via prejuízo na participação de CNPJs em candidaturas, mas é crítico ao fato de adversários receberem apoios dos mesmos grupos. Na entrevista à Globonews, ele admitiu a possibilidade de ter recebido recursos ilícitos sob a forma de doações legais, mas argumenta que devem ter sido minoria. Em delação premiada, o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado disse que Temer pediu a ele doações eleitorais para a candidatura de Gabriel Chalita à prefeitura de São Paulo em 2012.

“O Eduardo Cunha não tem absolutamente nada a ver com isso”. A importância do presidente da Câmara afastado no sucesso da tramitação do processo de impeachment na casa e o nome escolhido para a liderança do governo dentre outras indicações reforçam as suspeitas de que o deputado participa ativamente do atual governo. Em meio à derrocada de Cunha, que pode estar a cada dia mais próximo de sua cassação, Temer nega relação.

“O Brasil não pode ter posições por sentimento ideológico”. Desde que assumiu, uma das principais marcas do governo Temer tem sido uma forte reviravolta na orientação da política externa. Comandada por José Serra, a pasta tem tentado maior distanciamento da chamada agenda de integração sul-sul, sobretudo entre outros países latino-americanos, em prol de maior aproximação com grandes potências na pauta de comércio exterior.

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“Se vai voltar para depois convocar eleições, então é porque não quer governar”. A possibilidade de lançar mão de um plebiscito para se verificar a opinião da sociedade sobre novas eleições e sua eventual convocação a depender do resultado surgiu como uma das últimas armas da presidente afastada Dilma Rousseff para reverter seu provável impeachment. O governo Temer tem classificado tal iniciativa de golpe e marcado posição fortemente contrária.

“Montamos uma equipe econômica excepcional e também fizemos a composição político-partidária para ter apoio no Congresso Nacional”. A ideia de Temer na composição ministerial foi priorizar os condutores da economia, a fim de reconquistar a confiança do mercado, e costurar uma ampla coalizão com as bancadas da base no Congresso. Desta forma, uma série de ministérios foi oferecida às siglas que apoiaram o impeachment e estão dispostas a participar da atual gestão, mesmo que ainda não efetivada.

“Eu não estou falando em aumentar impostos ainda, primeiro ponto. Ainda”. A possibilidade de ocorrer um aumento de impostos para solucionar o problema fiscal brasileiro desagrada setores aliados a Michel Temer. O presidente em exercício, no entanto, tem reiterado a importância de se realizar o ajuste antes de exigir novos sacrifícios com aumento de carga tributária.

“Enquanto houver pobreza extrema no país o Bolsa Família vai continuar”. A despeito dos cortes de gastos anunciados e limitações no crescimento dos gastos nas mais diversas áreas de atuação do governo, o presidente interino tem tentado indicar que o campo social não será afetado. Temer defende que mudanças ocorrerão no sentido de trazer maior eficiência e corrigir distorção de determinados programas sociais, mas negou prejuízos.