Agitação em Brasília

De Dilma a Aécio: as propinas milionárias dos políticos citados na delação da Odebrecht

Divulgação da lista de Fachin e queda do sigilo das delações elevaram os ânimos em Brasília e diversos políticos são citados em esquemas ilegais

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SÃO PAULO – A divulgação da lista dos políticos que o relator da Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Edson Fachin. pediu abertura de inquérito pegou todos de surpresa na tarde desta terça-feira (11), e desde então uma série de informações estão sendo divulgadas na imprensa, inclusive o teor das delações dos executivos da Odebrecht, cujo sigilo foi derrubado.

O que chama atenção são os diversos valores de propinas que estão sendo divulgados e que teriam sido confirmados pelos delatores. No total, a lista de Fachin contém 108 nomes, com 83 pedidos de inquéritos. Vale lembrar que nomes como o de Dilma Rousseff e Lula não aparecem na lista porque eles não têm mais foro privilegiado

Porém, no caso de Dilma, segundo a revista Veja, seis delatores, incluindo os proprietários Emílio e Marcelo Odebrecht, relataram o pagamento de propina a integrantes das cúpulas dos poderes Executivo e Legislativo em troca da edição e aprovação de medidas provisórias. De acordo com a publicação, as MPs 470, de 2009, e 613, de 2013, renderam o repasse de R$ 50 milhões e de R$ 100 milhões às campanhas da petista em 2010 e 2014.

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A revista diz ainda que o dinheiro ia para os presidente do Senado, Eunício Oliveira (R$ 2 milhão) e da Câmara, Rodrigo Maia (R$ 100 mil). Também foram agraciados os senadores Renan Calheiros e Romero Jucá, com R$ 4 milhões para os dois, e o deputado Lúcio Vieira Lima, com R$ 1 milhão.

Já o Estadão, relata que o “chefe” do Departamento de Propinas da Odebrecht, Benedicto Barbosa da Silva Júnior, declarou que a empresa repassou mais de R$ 15 milhões ao ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PMDB), o ‘Nervosinho’ das listas, “ante seu interesse na facilitação de contratos relativos às Olimpíadas de 2016”. As solicitações teriam sido feitas em 2012. Dessa quantia, R$ 11 milhões foram repassados no Brasil e outros R$ 5 milhões por meio de contas no exterior.

Cinco delatores revelaram uma rotina de repasses de dinheiro da empreiteira ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Um colaborador, contou que em 2008, o deputado “solicitou e recebeu a soma de R$ 350 mil, a pretexto de auxílio à campanha eleitoral”. Já o presidente do Senado, Eunício de Oliveira (PMDB-CE), foi destinatário de R$ 2 milhões da Odebrecht, que teria atuado no Congresso Nacional para converter medidas provisórias em lei.

Marcelo Odebrecht e outro executivo da empresa contaram que o senador Aécio Neves, presidente nacional do PSDB, recebeu “vantagens indevidas” em troca de apoio a interesses da empreiteira, principalmente nos projetos das usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau. Segundo Henrique Valladares, Aécio, identificado como “Mineirinho”, recebia mesadas que variavam de R$ 1 milhão a R$ 2 milhões.

Quatro delatores afirmaram, em delação premiada, que a empreiteira fez repasses de R$ 500 mil para a campanha ao Senado de Kátia Abreu (PMDB-TO), por meio de caixa dois. O marido de Marta Suplicy (PMDB) e responsável pela arrecadação de fundos nas campanhas da atual senadora, Márcio Toledo teria pedido, no total, cerca de R$ 1,05 milhões à Odebrecht, em duas ocasiões.

Já o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, recebeu R$ 10,3 milhões da empreiteira durante as campanhas de 2010 e 2014, segundo três delatores. Segundo eles, o tucano recebeu R$ 2 milhões “a pretexto de contribuição eleitoral” na eleição de 2010, enquanto em 2014, o governador levou outros R$ 8,3 milhões da empresa.

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De acordo com outros três delatores, Romero Jucá, presidente do PMDB, levou R$ 4 milhões para aprovar a resolução 72 do Senado, objetivo da Odebrecht. O ex-senador Delcidio Amaral também participou da ação e teria recebido R$ 500 mil. Edison Lobão também aparece na delações, tendo recebido R$ 5,5 milhões para ajudar a anular a licitação da hidrelétrica de Jirau. O pagamento foi feito com o codinome “Esquálido”.

Nos depoimentos, o senador petista Lindbergh Farias (PT) é apontado como beneficiário de R$ 4,5 milhões em propinas. Já o ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), era registrado no sistema de propinas da Odebrecht com o apelido de “Caldo” e recebeu R$ 12 milhões da empreiteira durante a campanha eleitoral de 2006.

O ex-líder do PT do Senado, Humberto Costa, segundo os delatores teria recebido quase R$ 600 mil em propina para o financiamento de sua campanha em 2010, em um processo licitatório que a construtora participou dentro do Plano de Ação de Certificação em Segurança, Meio Ambiente e Saúde.