Perfil

De analfabeta até os 16 a possível presidente: confira a história de Marina Silva

Evangélica de 56 anos, a nova candidata à presidência do PSB já sonhou em ser freira, lutou contra o governo militar, foi aliada de Chico Mendes e tornou-se em 2002 a mais jovem senadora eleita no Brasil

SÃO PAULO – Catapultada por uma tragédia, a ex-senadora e ex-ministra do meio ambiente Marina Silva foi escolhida nesta quarta-feira (20) para ser a candidata a presidente pelo PSB à presidência, sete dias após a morte de Eduardo Campos. Marina conseguiu vencer as divergências que ela tem com o partido – seu discurso mais combativo do que o de Campos, que sempre foi mais conciliador, levou a possíveis sinalizações de que a ex-senadora não seria candidata. A candidata já entra com bastante visibilidade na disputa pelo cargo máximo do País.

Marina nasceu com o nome de Maria Osmarina Silva de Lima, no Acre, em 1958. Filha de seringueiros, só aprendeu a ler aos 16 anos, mesma idade que ficou órfã de mãe. Trabalhou como doméstica e chegou a sonhar em ser freira antes de se converter à religião evangélica. Mesmo com todas as dificuldades, Marina acabou se formando em história na Universidade Federal do Acre em 1985 e começou a atuar nas CEBs (Comunidades Eclesiais de Base), da Igreja Católica.

Confira a página de Eleições do InfoMoney e fique por dentro das pesquisas eleitorais, agenda dos candidatos e as principais notícias sobre política

PUBLICIDADE

Também nessa época, ela foi ligada ao PRC (Partido Revolucionário Comunista), um grupo clandestino que lutava contra os governos militares. Em 1984, fundou a Central Única dos Trabalhadores no seu estado juntamente com o seringueiro e ambientalista Chico Mendes. Em 1988 foi a vereadora mais votada em Rio Branco, capital do Acre, e, em 1990, eleita deputada estadual.

Quatro anos depois, Marina foi a mais jovem senadora eleita no Brasil, sendo reeleita em 2002 como a senadora mais votada do Acre. Em todos os mandatos, se destacou na defesa dos índios, meio-ambiente, direitos femininos e excluídos sociais. Entre suas bandeiras estão o desenvolvimento sustentável e a inclusão social.

Foi membro titular da Comissão de Educação e Assuntos Sociais do Senado, na qual apresentou recentemente um projeto que regulamenta a publicidade oficial do governo. Participa também de comissões especiais, como a do Calha Norte, que avalia a ocupação desse local, no Rio Amazonas, pelo Exército, e a de Política de Desenvolvimento da Amazônia. Com quatro filhos, Marina Silva superou uma doença neurológica causada por contaminação de metais pesados.

Nomeada ministra do meio ambiente no governo Lula em 1º de janeiro de 2003, ficando no cargo até 13 de maio de 2008. Desfiliou-se do PT no ano seguinte após conflitos com membros do governo e, em 2010, foi candidata à presidência da República pelo PV (Partido Verde), com mais de 19 milhões de votos e ficando com a terceira colocação no primeiro turno.

Em outubro de 2013, após lutar pela criação de seu partido Rede Sustentabilidade, mas o registro ter sido negado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Marina abdica de sua candidatura à presidência e se alia a Eduardo Campos no PSB. A dupla confirmou a candidatura em 14 de abril de 2014, com Campos encabeçando a chapa tendo Marina como vice. Isso apesar de ter algumas divergências com o partido.

Após dez meses de intensa convivência com Campos, uma tragédia interrompeu a candidatura do ex-governador pernambucano, colocando ironicamente Marina Silva no caminho para a candidatura à presidência, apesar de estar num partido sem a sua identidade. Questionou-se muito se ela seria mesmo a candidata dada as divergências do partido, mas ela acabou se firmando no posto. O seu capital político e o legado emocional deixado após a morte de Campos são os novos fatores a movimentar uma já disputada campanha presidencial e fazer com que os adversários repensem as suas estratégias.

(Com Agência Brasil)

Eleições 2014