Dark Horse: Filme sobre Bolsonaro tem estreia suspensa em meio a investigações

Distribuidora diz que lançamento do filme sobre Jair Bolsonaro dependerá do desfecho das apurações sobre financiamento da produção

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A Europa Filmes, responsável pela produção da cinebiografia de Jair Bolsonaro, decidiu deixar sem data de estreia “Dark Horse” enquanto avançam as investigações sobre o financiamento da produção.

A posição foi confirmada pelo diretor-geral da distribuidora, Wilson Feitosa, ao jornal O Globo, um dia depois de a Polícia Federal cumprir mandados em uma operação que apura suspeitas envolvendo emendas parlamentares destinadas a entidades ligadas à produtora do longa.

Segundo Feitosa, a empresa prefere aguardar até que não haja risco de obstáculos jurídicos ou operacionais à exibição.

“O lançamento do filme terá que estar livre de possíveis impedimentos. Não dá para saber o desenrolar de tudo isso, mas não seria responsável fazer o lançamento deste filme com todos estes acontecimentos”, afirmou ao jornal.

Ele acrescentou que a decisão, por enquanto, é esperar. “Estamos aguardando, é o prudente.”

Operação atingiu nomes ligados ao filme

Na quinta-feira (10), a PF cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em uma operação autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal.

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Entre os alvos estão o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e a empresária Karina Gama, da Go Up Entertainment, responsável pela produção de “Dark Horse”.

A investigação apura a destinação de R$ 2 milhões em emendas enviadas por Frias, em 2024, ao Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina. Os pagamentos ocorreram em fevereiro e outubro de 2025.

Os investigadores buscam saber se parte desses recursos terminou em empresas relacionadas ao filme. Frias nega irregularidades e classificou a operação da PF como uma “cortina de fumaça”.

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Investigação alcança Flávio Bolsonaro

O financiamento de “Dark Horse” também aparece em outra frente de investigação, sob relatoria do ministro André Mendonça. Esse procedimento surgiu a partir do caso Banco Master e alcança o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que participou das negociações para captar recursos privados para a produção.

As duas frentes aumentaram a cautela da distribuidora com o cronograma do filme. Feitosa afirmou ao O Globo que soube da operação apenas depois de sua deflagração. “Não sabia da operação, mas, se tem coisa errada, tem mais é que esclarecer”, disse.

A Europa Filmes já demonstrava resistência a lançar “Dark Horse” em meio à campanha presidencial, ainda segundo o jornal.

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Em julho, Feitosa havia dito que não via vantagem estratégica em colocar a produção nos cinemas durante o período eleitoral. Como referência, citou a experiência de “Lula, o Filho do Brasil”, lançado em 2010. Naquele momento, a data de estreia ainda não havia sido definida.

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Marina Verenicz
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