Caso Geddel

Da pressão à demissão: os 7 dias que acabaram com a paz do governo Temer

O “Caso Geddel” chegou ao gabinete do presidente Michel Temer, após o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero dizer em depoimento à Polícia Federal (PF) que foi “enquadrado” e pressionado pelo próprio chefe do executivo para atender à demanda do secretário de governo

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SÃO PAULO – Em uma semana, o pedido de demissão do ministro da Cultura se desdobrou na crise mais grave do governo Temer. A pasta, que já havia sido centro de uma polêmica após a tentativa do governo de uní-la ao ministério da Educação volta aos holofotes com alegações de pressões de ministros e do próprio presidente em favor dos interesses privados do secretário de governo, Geddel Vieira Lima.

Abaixo você vê a cronologia da crise e análises sobre as consequências para o governo Temer.

CRONOLOGIA

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Sexta-feira, 18: O então ministro da Cultura, Marcelo Calero, pede demissão do cargo. Roberto Freire é anunciado como novo titular da pasta.

Sábado, 19: Em entrevista à Folha de S. Paulo, Calero acusa o secretário de governo, Geddel Vieira Lima, de pressioná-lo a produzir um parecer técnico favorável a seus interesses pessoais em um empreendimento imobiliário em Salvador (BA). Geddel nega. Calero presta depoimento espontâneo à Polícia Federal. 

Segunda-feira, 21: Após as denúncias, o presidente Michel Temer decide manter Geddel no cargo. Após pedido de vista, Comissão de Ética da Presidência da República decide investigar Geddel.

Terça-feira, 22: Na tentativa de minimizar a crise, líderes da base aliada do governo entregam uma carta de apoio à Geddel na articulação política do governo Temer.

Quinta-feira, 24: Conteúdo do depoimento de Calero é divulgado. Ele diz ter seido “enquadrado” pelo presidente Michel Temer e pressionado também pelo ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. O porta-voz do presidente da República diz que Temer reconhece que conversou por duas vezes com o ex-ministro da Cultura sobre a divergência com Geddel, mas nega que tenha feito pressão. Polícia Federal informa o ministério da Justiça que Calero gravou conversas com Temer e outros envolvidos no caso.

Sexta-feira, 25: A Folha de S.Paulo informa que a Procuradoria-Geral da República deve pedir ao Supremo Tribunal Federal a abertura de inquérito contra Geddel e pode investigar também Temer e Padilha. Geddel pede demissão do cargo. É o sexto ministro de Temer a deixar o governo em seis meses. Antes dele saíram Marcelo Calero (Cultura), Henrique Alves (Turismo), Fábio Osório (AGU), Romero Jucá (Planejamento) e Fabiano Silveira (Transparência).

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No vídeo abaixo, o InfoMoney na Bolsa explica o passo-a-passo da crise e os reflexos sobre o mercado financeiro. Assista:

CONSEQUÊNCIAS

Nesta sexta-feira, os contratos de juros futuros e o dólar operam em forte alta, enquanto a Bovespa cai em um movimento de aversão ao risco e com preocupações quanto ao futuro do ajuste fiscal e da recuperação da economia. Analistas já falam em “intensificação do momento desgastante” e não descartam a volta de protestos de rua contra o governo. 

Às 10h45 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa brasileira recuava 1%, a 60.783 pontos enquanto os DIs com vencimento em janeiro de 2018 subiam 7 pontos-base, a 12,20%, enquanto os papéis com vencimento em janeiro de 2021 saltavam 12 pontos-base, a 12,10%. Já do lado do câmbio, os contratos futuros de dólar com vencimento em dezembro deste ano subiam 1,04%, sinalizando cotação de R$ 3,433. 

Para o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno, a divulgação de uma possível gravação de Temer pressionando Calero pode criar uma nova crise no País, que poderia enfraquecer o governo justamente em um momento em que é necessário aprovar o ajuste fiscal. “Crise política tornaria o ajuste fiscal mais difícil, principalmente a aprovação da reforma da Previdência, que é uma mudança espinhosa”, avalia Rostagno, pontuando que o ambiente ficaria desfavorável a este debate. Para ele, existe o risco de a população ir às ruas protestar contra o governo Temer.

Em relatório enviado a clientes, a MCM avalia que o “momento desgastante” para o governo Temer deve se intensificar, mas pondera que a oposição não deve ter os 338 votos necessários para aprovar um pedido de impeachment na Câmara. “No momento, ainda não existem condições políticas para um impedimento presidencial”, diz o texto. Segundo a Bloomberg, os consultores destacam ainda que o momento é ruim para o governo, uma vez que a economia não mostra “sinais consistentes de recuperação” e a tentativa por parte da classe política de “contra-atacar” a Lava Jato deixa a opinião pública “mais irritada”.