Perspectivas

Cunha na oposição, temporada de resultados e mais eventos para olhar na semana que vem

Economistas acreditam que tensão política continuará a ser principal driver do mercado; indicadores de desemprego e inflação também serão destaques

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SÃO PAULO – A semana que poderia ter sido só de notícias boas no mercado acabou fechando com uma leve queda do Ibovespa de 0,47%, graças ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que rompeu com o governo e deixou o cenário político ainda mais tenso. Na semana que vem o investidor fará bem em ficar atento para saber até onde vai esta queda-de-braço, que vem no meio de um recesso parlamentar. Outro destaque é o começo da temporada de resultados, com Fibria, Localiza e Hypermarcas divulgando os seus balanços. 

Para Hersz Ferman, economista da Elite Corretora, mesmo com o recesso parlamentar, o que o investidor mais deve olhar nos próximos dias é o desenrolar da questão política. “O governo não consegue governar, o Congresso está abertamente contra e isso é uma situação complicada porque nós temos que ajustar as contas públicas para fazer a economia voltar a crescer. As medidas com este fim estão sendo travadas por conta da briga entre governo e Congresso”, explica.

Além disso, ele acha que as investigações da Operação Lava Jato também são importantes de se monitorar, já que elas estão chegando cada vez mais perto dos políticos de primeiro escalão do governo, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que é sujeito de inquérito da procuradoria do Distrito Federal. 

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Já para a temporada de resultados, segundo ele, os balanços do segundo trimestre serão os mais importantes em muito tempo, já que oferecerão uma oportunidade de ver como a estagnação econômica efetivamente está batendo nas empresas. Ele lembra que no primeiro Relatório Focus – que compila projeções de economistas para os principais indicadores econômicos – de 2015, a mediana das expectativas era de um crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) era de 0,5%. Hoje, ela já caiu para uma retração de 1,5% da economia brasileira.

Além disso, os próximos cinco dias ainda serão agitados por dois importantes indicadores macroeconômicos domésticos. Primeiro o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor), que trará os dados de inflação oficiais do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) colhidos entre os dias 15 de cada mês. O segundo é a PME (Pesquisa Mensal do Emprego), também do IBGE, mostrando a taxa de desemprego no Brasil no mês de junho. 

Confira os principais destaques da agenda da próxima semana:

IPCA-15
Na quarta-feira (22), será divulgado o IPCA-15, com os dados de inflação no Brasil referentes ao intervalo entre o dia 15 de junho e o dia 15 de julho. As expectativas do mercado são de 0,5% de alta nos preços, contra 0,99% no período anterior. 

PME
Também na semana que vem será divulgada a PME na quinta-feira (23), com os dados de emprego na economia brasileira. O índice relativo a junho tem como projeção mediana do mercado uma estabilização da taxa de desemprego em 6,7%. 

Transações correntes
O resultado das contas correntes brasileiras de junho será divulgado na quarta-feira (23). O número que envolve Balança Comercial, Balança de Serviços, entrada e saída de dólares e operações financeiras, ficou em US$ 3,366 bilhões no mês de maio. 

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Outros indicadores:

Initial Claims
Os pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos, serão divulgados também na quinta-feira (16), às 9h30. Na semana passada o indicador ficou em 297 mil. 

PMI da zona do euro
O Markit divulgará os PMIs (Índices Gerentes de Compras) de serviços, da indústria e composto da zona do euro às 5h do dia 24 (sexta-feira). Os números são relativos a julho e no mês anterior, o índice ficou em 52,5 pontos para o industrial e 54,4 pontos para os serviços. Lembrando que no PMI a um número abaixo de 50 pontos indica retração e pontuações acima de 50 pontos mostram expansão. 

Para conferir todos os eventos da semana, veja a agenda InfoMoney clicando aqui.