Insatisfeito

Cunha diz a aliados que foi traído e abandonado por Temer em votação da Câmara, diz Folha

Deputados do "centrão" afirmaram à reportagem que pode haver retaliação ao governo em votações

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SÃO PAULO – De acordo com informações da Folha de S. Paulo do último domingo, o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) não ficou nem um pouco satisfeito com a falta de respaldo do presidente interino, Michel Temer, à candidatura de Rogério Rosso (PSD-DF) à sua sucessão no comando da Casa. 

Segundo o jornal, Cunha disse a aliados, em conversas nos últimos dias, que se sentiu “traído” e “abandonado” por Temer. Deputados do “centrão” afirmaram à reportagem que pode haver retaliação ao governo em votações.

Para eles, os 170 parlamentares que votaram em Rosso mais os 78 de partidos de esquerda, por exemplo, podem derrubar o projeto do limite de gastos públicos, uma das prioridades de Temer. Consciente de que a atuação no governo na eleição para a Câmara – que teve Rodrigo Maia (DEM-RJ) como vencedor – pode ter reflexos na agenda legislativa, Temer resolveu agir e telefonou, na sexta (15), a líderes do “centrão” para dizer que não pretende “desidratar” o bloco, e sim unir a base aliada. Porém, a explicação não teria convencido Cunha e o deputado afastado segue incomodado com o governo. Para a Folha, Cunha afirmou que não participou “de nenhuma articulação nem discussão sobre a eleição” na Câmara.

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Enquanto o cenário de tensão parece continuar, o mercado comemora a eleição de Rodrigo Maia. A Rosenberg Consultores Associados destacou em relatório que o Planalto foi vitorioso no momento em que, ao segundo turno, passaram dois candidatos com os quais teria bom trânsito; “a sensação de vitória foi ainda maior quando o vencedor foi um candidato da sua base aliada, ao mesmo tempo em que o ‘Centrão’ parece caminhar para a realização de acordos com o Planalto, mostrando o fisiologismo em sua melhor forma. De quebra, durante a semana, o Planalto conquistou a urgência na análise do acordo com os Estados e da obrigatoriedade de participação da Petrobras em novos campos de petróleo do pré-Sal. Um balanço semanal muito positivo, portanto”. Porém, o Planalto ainda precisará trabalhar para angariar o apoio necessário à aprovação das pautas mais complexas que está por vir, destaca.