Crise cresce na Grécia mas FMI deve manter pagamento de resgate de 2010, diz Banco

Fundo deve abrir mão de garantias formais frente à dificuldade para aprovação de reformas, mas novo auxílio está em xeque

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SÃO PAULO – Para o Société Générale, um dos maiores bancos da França, não há dúvidas de que após uma semana conturbada a Grécia está, de fato, um passo mais perto do precipício.

“A crise fiscal da Grécia atingiu sua fase crítica e um resultado turbulento ressuscitou-se dramaticamente nas últimas 48 horas”, enfatiza o analista Vladimir Pillonca, apontando para a dificuldade de Atenas em aprovar as medidas de austeridade exigidas para uma nova rodada de auxílio ao país, tendo inclusive forçado uma reforma ministerial de urgência.

Pagamento sem garantias
Dadas as complicações, o FMI (Fundo Monetário Internacional) se vê agora pressionado a adiantar a quinta parcela do resgate de 2010 mesmo sem a aprovação do pacote para evitar um cenário que poderia se tornar catastrófico.

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O órgão estaria disposto a realizar o pagamento da parcela no início de julho tendo apenas como garantia o fundo da União Europeia, sem qualquer outra segurança formal de que a Grécia terá condições de arcar com seus compromissos no futuro.

Por outro lado, apesar do relaxamento de requisitos para o pagamento da parcela de resgate de 2010, a nova rodada de auxílio, tão discutida nos últimos meses, segue condicionada à aprovação do pacote de austeridade pelo parlamento grego, o que de fato tem se revelado uma tarefa difícil e impopular.

França x Alemanha
Para incendiar ainda mais a situação, há claramente um racha na União Europeia quanto à uma eventual reestruturação da dívida grega, que incluiria a extensão do vencimento dos títulos.

É nesse ponto que surge a conflito entre dois países de peso do Bloco, dado que enquanto a França sugere uma extensão apenas para países credores, sua vizinha Alemanha deseja que o plano seja estendido aos credores privados, embora a chanceler Angela Merkel já tenha suavizado o tom de seu discurso.

Se por um lado a extensão do vencimento pode ser encarada pelo mercado com um calote, por outro reduziria os custos do novo resgate ao país. Segundo projeção de Pillonca, sem o envolvimento do setor privado, a Grécia necessitaria de um aporte de € 144 bilhões nos próximos três anos, porém com uma adoção voluntária do setor esse valor cairia para € 120 bilhões e com uma extensão compulsória poderia chegar a € 90 bilhões.

Incerteza prevalece
Apesar da projeção, o próprio analista prefere não arriscar e diz que “a incertezas sobre o financiamento de longo prazo da Grécia parece destinada a persistir.”

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Porém, Joerg Kraemer, analista do Commerzbank, arrisca um palpite: “nós ainda acreditamos que o cenário mais provável não envolverá o setor privado em nenhuma proporção além do modelo proposto pela Iniciativa de Viena, o que significa que deverá ser puramente voluntário”.