Criação de fundo soberano brasileiro é vista com desconfiança por analistas

Para Credit Suisse, meta do superávit primário deveria ter sido elevada; Fator acredita que dólar deva continuar caindo

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SÃO PAULO – A criação do fundo soberano brasileiro, anunciada na noite da última terça-feira (13) pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi recebida com cautela pelos analistas do Credit Suisse e da Fator Corretora.

Segundo Guido Mantega, a criação do fundo promoverá uma maior internacionalização das empresas brasileiras e apoiará projetos estratégicos para o País. Todavia, seus principais objetivos serão o de formação de uma poupança pública e absorção de flutuações nos ciclos econômicos.

Frustração por manutenção da meta

Não é esta a percepção dos analistas. “A nosso ver, um dos principais objetivos do fundo soberano brasileiro é o de conter a apreciação do real frente ao dólar”, afirma a equipe do Credit Suisse. E a julgar pelo comportamento do câmbio neste pregão, a visão é compartilhada pelo mercado.

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A divisa norte-americana manteve durante toda esta quarta-feira um movimento de valorização em relação à moeda brasileira. Para a Fator, o mais frustrante para o mercado foi a meta formal do superávit primário não ter sido elevada pelo ministro, contrariando especulações recentes da imprensa.

Nas palavras do Credit Suisse, “a elevação da meta (…) contribuiria para uma melhora mais rápida dos indicadores de solvência do País e redução das taxas de juros mais longas”. Além do impacto sobre o câmbio, o mercado de juros futuros também reagiu à notícia, com as taxas registrando forte alta na BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros).

Real deve continuar forte

Embora a criação do fundo tenha de fato surtido impacto sobre a taxa de câmbio, promovendo neste pregão uma alta do dólar comercial, na visão dos analistas da Fator, o real deve manter-se em sua trajetória de valorização.

“Os fatores que ao longo do tempo têm contribuído para essa tendência permanecem presentes (preços de commodities elevados, taxa de juros real alta e vigoroso fluxo de investimentos para o País)”, afirma a equipe da corretora.

Entenda melhor a proposta

Os recursos para a formação do fundo viriam da dotação primária de recursos orçamentários excedente do superávit primário em relação à meta de 3,8% do PIB (Produto Interno Bruto) e da aquisição de ativos financeiros pelo Tesouro Nacional nos mercados.

Entre os ativos que o fundo soberano brasileiro poderia investir, estão os títulos emitidos por empresas privadas e os emitidos por bancos públicos federais, sobretudo os do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

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Ademais, a proposta do governo prevê também a criação do FFIE (Fundo Fiscal de Investimento e Estabilização), com o objetivo de formar poupança pública com o excedente do superávit primário e absorver possíveis flutuações dos ciclos econômicos.

“O FFIE representaria o componente anticíclico do fundo soberano, onde seriam alocados os recursos provenientes do excedente do superávit primário em relação à meta”, explicam os analistas do Credit Suisse.