Crédito para motoristas será anunciado separado do Desenrola 2.0, diz ministro

Governo deve dividir pacote entre renegociação de dívidas e novas linhas de financiamento; primeira etapa será lançada na segunda-feira

Agência O Globo

Ministro Luiz Marinho, durante entrevista ao Bom dia, ministro - Foto: Reprodução
Ministro Luiz Marinho, durante entrevista ao Bom dia, ministro - Foto: Reprodução

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O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou nesta quarta-feira que o crédito voltado a motoristas deve ser anunciado em separado da nova fase do programa Desenrola. Segundo ele, o governo decidiu dividir o pacote entre medidas de combate ao endividamento e ações de estímulo ao crédito.

— Em um momento, tratar do endividamento. Em outro momento, tratar dos investimentos, crédito para manter a economia aquecida — disse o ministro.

A nova etapa do Desenrola, voltada à renegociação de dívidas, deve ser lançada na próxima segunda-feira. O detalhamento das medidas ficará a cargo do Ministério da Fazenda.

A expectativa é que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva antecipe as linhas gerais do programa em pronunciamento em cadeia de rádio e televisão previsto para quinta-feira, em celebração ao Dia do Trabalho.

Segundo Marinho, em um primeiro momento o governo vai tratar do processo de endividamento das famílias e após isso, deve anunciar medidas voltadas à ampliação do crédito para investimento — incluindo linhas específicas para categorias como taxistas, caminhoneiros etc.

A estratégia, de acordo com o ministro, é combinar o alívio imediato das dívidas com medidas para sustentar a atividade econômica e a geração de emprego e renda.

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FGTS na renegociação

Na frente de combate ao endividamento, o governo prevê o uso de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para ajudar trabalhadores a quitar débitos. Como mostrou o Globo, o saque terá destinação específica e será transferido diretamente ao credor.

A proposta é permitir o uso de até 20% do saldo do FGTS por trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos, desde que haja negociação com desconto mínimo sobre a dívida.

— É verba carimbada para quitação de dívida — afirmou o ministro.

A estimativa do governo é liberar cerca de R$ 4,5 bilhões nessa modalidade, podendo chegar a até R$ 8 bilhões.

Além disso, o pacote deve incluir restrições ao uso de recursos em apostas online por quem aderir ao programa, como forma de evitar um novo ciclo de endividamento.