CPMI do Banco Master é protocolada pela oposição e entra na fila do Congresso

Pedido supera mínimo regimental, mas leitura em sessão do Congresso e indicação de membros ainda travam avanço da investigação

Marina Verenicz

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A oposição protocolou nesta terça-feira (3) o requerimento para criar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar a fraude envolvendo o Banco Master.

O pedido já ultrapassou o número mínimo exigido pelo regimento, mas a efetiva instalação da comissão ainda depende de decisões políticas no comando do Congresso Nacional.

O requerimento precisa ser lido em sessão conjunta da Câmara e do Senado para que a CPMI seja formalmente criada. A atribuição cabe ao presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que ainda não marcou data para a leitura. Apesar da pressão, a expectativa é que a sessão ocorra apenas em março, o que empurra o cronograma da investigação.

A iniciativa foi liderada pelo deputado Carlos Jordy, que conseguiu 280 assinaturas de deputados e senadores, bem acima das 198 necessárias. Segundo Jordy, trata-se de um apoio inédito para uma CPMI.

Enquanto a oposição pressiona pela CPMI, a base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) optou por não aderir ao requerimento. Governistas têm sinalizado preferência por outras frentes de apuração no Congresso, como uma CPI sugerida na Câmara e outra CPMI alternativa ainda em fase de coleta de assinaturas. Essas iniciativas, no entanto, enfrentam obstáculos regimentais e menor prioridade na fila de instalação.

Na Câmara, o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) já indicou que há uma lista extensa de comissões aguardando instalação, o que reduz as chances de avanço rápido de uma CPI exclusiva.

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A disputa em torno da CPMI ocorre em paralelo às investigações em curso sobre o Banco Master, que envolvem suspeitas de fraudes financeiras e conexões políticas.