Análise

CPMI da JBS: Em momento de fragilidade, mundo político prepara contra-ataque a Rodrigo Janot

Faz parte dos planos dos parlamentares, rancorosos com as ofensivas do procurador-geral, convocá-lo para depor depois do fim de seu mandato no comando da instituição

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SÃO PAULO – A confirmação do nome do deputado Carlos Marun (PMDB-MS) como relator da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) que investigará se houve irregularidades nas operações entre o grupo J&F e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) representa uma vitória do presidente Michel Temer, que se empenhou para que um aliado fosse escolhido para o posto.

Com a notícia, crescem as possibilidades de o colegiado caminhar em direção aos propósitos idealizados inicialmente, sem grandes desvios de rota. A ideia é permitir ao mundo político uma espécie de “troco” à operação Lava Jato e sobretudo ao Ministério Público Federal, que tem agredido com intensidade deputados e senadores.

Faz parte dos planos dos parlamentares, rancorosos com as ofensivas de Rodrigo Janot — cada vez mais enfraquecido pelos episódios recentes –, convocar o procurador-geral para depor. Levando-se em consideração que ele deixa o cargo no próximo dia 17 de setembro, a convocação se daria em um momento em que ele não ocuparia mais o comando da PGR, ou seja, em uma situação muito distinta. Conforme afirmou o professor Pedro Costa Júnior, do curso de Relações Internacionais das Faculdades Rio Branco, no último programa Conexão Brasília, Janot sem a caneta seria como um leão sem dentes.

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Quanto mais tempo levar para os parlamentares convocarem o PGR a depor, mais material poderá ser usado no enfrentamento. É o caso de elementos como o registro feito de encontro entre Janot e o advogado Pierpaolo Bottini, que defende o empresário Joesley Batista, em um bar de Brasília.

Outra derrota já oferecida pelos deputados e senadores ao MPF com a CPMI foi a escolha do deputado Delegado Francischini (SD-PR) como sub-relator de contratos da JBS, englobando BNDES e BNDES-Par. Ex-delegado da Polícia Federal, ele poderá jogar ainda mais gasolina na tensão entre PF e MPF. As instituições disputam o protagonismo na celebração de acordos de delação premiada.

O mundo político aproveita-se da enorme fissura gerada pelos ruídos do acordo de delação firmado pela PGR com executivos da JBS para se vingar dos ataques recebidos nos últimos anos. Por outro lado, Janot pode ficar exposto.