Publicidade
Os nomes escalados para a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, determinada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) depois da operação mais letal já realizada no Rio de Janeiro, mostram um número maior de membros da oposição. O colegiado irá apurar a estruturação, a expansão e o funcionamento do crime, com foco na atuação de milícias e facções. A expectativa é que as sessões se tornem palco de embates entre governistas e a oposição.
Entre os senadores indicados para a titularidade das vagas estão o filho primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e Sérgio Moro (União-PR).
O senador licenciado Marcos do Val (Podemos-ES) foi indicado como membro titular, mas caso não assuma o posto deve ser substituído por Márcio Bittar (PL-AC). Aliado de Bolsonaro, Magno Malta (PL-ES) é outro nome escalado como membro titular do colegiado, que também tem Eduardo Girão (NOVO-CE) como suplente.
Oportunidade com segurança!

Com crise no Rio, Casa Civil analisa projeto antifacção; veja os pontos
Governo tenta acelerar análise para dar resposta após megaoperação que deixou 121 mortos

Lula sanciona lei que endurece combate ao crime organizado
Legislação publicada nesta quinta (30) cria novos crimes, amplia punições e reforça segurança de servidores que atuam contra o crime organizado
Partidos como PP e Republicanos, por exemplo, ainda não indicaram seus representantes, o que pode aumentar ainda mais a margem de votos da oposição.
O PT escalou o líder do partido no Senado, Jaques Wagner (BA), e Rogério Carvalho (ES) como titulares, enquanto Fabiano Contarato (ES) ficará na suplência. Entre os nomes já escalado, há nomes com posicionamentos alinhados ao governo, como Otto Alencar (PSD-BA), Jorge Kajuru (PSB-GO) e Alessandro Vieira (MDB-SE), que podem compor com os petistas.
Ao determinar a criação da CPI, Alcolumbre disse que “é hora de enfrentar grupos criminosos”.
Continua depois da publicidade
“Determinei a instalação da CPI do Crime Organizado para a próxima terça-feira (4), em entendimento com o senador Alessandro Vieira. A comissão irá apurar a estruturação, a expansão e o funcionamento do crime organizado, com foco na atuação de milícias e facções. É hora de enfrentar esses grupos criminosos com a união de todas as instituições do Estado brasileiro, assegurando a proteção da população diante da violência que ameaça o país”, disse Alcolumbre em nota.
Na véspera, ele havia dito que o Congresso “acompanhava, com atenção e preocupação, os graves acontecimentos registrados no Rio de Janeiro”. Como resposta, o Senado aprovou um projeto que altera dispositivos do Código de Processo Penal para mudar as regras das audiências de custódia, além de prever a coleta de material genético dos detidos suspeitos de integrar organizações criminosas.
O projeto aprovado
O texto, de autoria do ex-senador Flávio Dino, hoje ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), foi incluído como item extra-pauta na sessão, depois da ação policial. O texto também especifica novas situações em que a prisão preventiva pode ser decretada. A matéria segue para sanção presidencial.
A redação final determina que as prisões preventivas podem ser decretadas quando houver fundamentação concreta, nos seguintes casos: participação em organização criminosa, reiterado uso de violência ou grave ameaça e apreensão de grande quantidade ou variedade de drogas, armas ou munições. As prisões em flagrante passam a poder ser convertidas em preventivas quando o preso for reincidente, quando o crime tiver sido praticado com violência ou grave ameaça, quando o acusado já tiver sido liberado anteriormente em audiência de custódia e em casos de fuga ou risco de fuga.
A iniciativa foi relatada pelo senador Sergio Moro (União-PR) e o texto original sofreu alterações em sua tramitação. Ficou estabelecido que a coleta de material genético dos presos envolvidos em organizações criminosas e crimes de violência sexual deverá ocorrer durante a audiência de custódia ou, no máximo, em até 10 dias após a prisão.
Em seu relatório, Moro citou o histórico da aplicação do instrumento das audiências de custódia, que passaram a ser aplicadas após prisões em flagrante e regulamentadas com a resolução nº 213/2015, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). De acordo com o senador, o principal objetivo do instrumento é “prevenir torturas ou abusos na prisão em flagrante, oportunizando um contato direto do preso com a autoridade judicial”.