CPI da Petrobras

Coutinho diz que BNDES não liberou dinheiro para a Setebrasil

Segundo o ex-gerente de Tecnologia da Petrobras Pedro Barusco, o BNDES foi o principal financiador da companhia

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, disse à CPI da Petrobras que o banco ainda não liberou nenhum recurso para a empresa Setebrasil, investigada pela Operação Lava Jato.

Segundo o ex-gerente de Tecnologia da Petrobras Pedro Barusco, o BNDES foi o principal financiador da companhia. Barusco foi nomeado em 2011 diretor da Setebrasil e disse, em depoimento de delação premiada, que houve pagamento de propina pelos estaleiros contratados pela empresa para a construção de 28 sondas de perfuração.

Coutinho defendeu o projeto de criação e financiamento da Setebrasil, que começou em 2009 com a participação do BNDES. “Mas houve problemas no projeto e o BNDES não chegou a contratar a Setebrasil”, explicou. Isso quer dizer que não houve aporte de recursos no projeto, apesar de o BNDES ter aprovado, em janeiro de 2014, apoio financeiro de R$ 8,8 bilhões para a empresa. 

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“O BNDES não chegou a contratar a Setebrasil, o que está na origem das dificuldades financeiras da Setebrasil. O projeto está hoje em reestruturação para encontrar uma formatação sustentável. Os bancos e os acionistas deram um prazo até junho para a continuidade do projeto”, disse. Ele explicou, sem dar detalhes, que “em determinado ponto o projeto começou a ter problemas” e mencionou a saída de um dos estaleiros.

Mesmo assim, segundo Coutinho, já estão em fase final de produção algumas das sondas construídas a partir do projeto Setebrasil pelos estaleiros Jurong Aracruz (ES), Estaleiro Atlântico Sul (PE), BrasFels(RJ), Estaleiro Rio Grande (RS) e Estaleiro Enseada Paraguaçu (BA). Algumas sondas estão entre 54% e 97% prontas.