Eleições

Corrida eleitoral ameaça produzir amnésia política no Brasil, diz The Economist

Segundo a publicação, brasileiro está "cego" para alguns dos grandes problemas do país

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SÃO PAULO – A eleição deste ano voltou a ser tema de matéria da The Economist nesta quinta-feira (6), que agora alerta para o risco de uma “amnésia política” gerada pela raiva pública com os governantes. Segundo a publicação, os dois principais candidatos na disputa são reflexo deste cenário e reforçam que o brasileiro está “cego” para alguns dos grandes problemas do país.

O texto começa lembrando das últimas eleições municipais, que pareciam dar uma mensagem clara em um cenário pós-impeachment de Dilma Rousseff, que deixou o PT com apenas 254 das mais de 5.500 prefeituras do país. Por outro lado, o PSDB ganhava força como a grande oposição ao Partido dos Trabalhadores, indicando que viria forte para a eleição presidencial deste ano.

“Faltando apenas um mês para a eleição, a política do país virou de cabeça para baixo”, diz a Economist mostrando que Geraldo Alckmin tem apenas 7% das intenções de voto nas pesquisas e com Lula na liderança até a última semana, antes de ter sua candidatura barrada. Enquanto isso, Jair Bolsonaro, um deputado “fã” da ditadura, segundo a publicação, aparece em segundo lugar.

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“Muito pode mudar no próximo mês. Mas há uma chance real de que o inevitável segundo turno seja entre Haddad e Bolsonaro. Por direito, nenhum deveria ter uma chance”, continua o texto reforçando que os erros políticos do PT levaram o Brasil a uma recessão profunda e que era evitável. A Economist cita ainda a Operção Lava Jato, que atingiu muitos petistas, enquanto do outro lado, diz que Bolsonaro defende um “regime repressivo que legou uma década perdida”.

E é aí que a publicação questiona: “o que explica a aparente amnésia do eleitorado?”. Como resposta, a revista diz que o ponto de partida “é a raiva pública sobre a combinação da pior recessão do país, um colapso concomitante nos serviços públicos e a corrupção generalizada revelada por Lava Jato, que foi muito além do PT”.

Segundo a Economist, a chegada de Michel Temer ao governo trouxe mudanças importantes, que ajudaram a fazer o país andar, mesmo que pouco, mas foi também os escândalos contra ele que facilitaram o “renascimento de Lula e do PT”. Enquanto isso, o PSDB não conseguiu crescer neste cenário de descontentamento, e a revista cita o caso da não expulsão de Aécio Neves da sigla.

“Uma campanha extraordinária ainda pode conter mais reviravoltas”, diz a publicação, que lembra ainda de Marina Silva, que recusou alianças com “partidos tradicionais”, mas que ela tem poucos recursos. “A não ser que Alckmin ou Marina Silva arranquem, os brasileiros terão deixado que sua raiva justificada pela corrupção os cegue para outras falhas, possivelmente maiores”, conclui o texto.

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