Coreia do Norte lança dois novos mísseis de curto alcance e eleva tensões

Regime militar de Kim Jong-il culpa os Estados Unidos de conspiração; Seul fará testes para detectar material radioativo

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SÃO PAULO – A Coreia do Norte disparou nesta terça-feira (26) dois novos mísseis de curto alcance em sua costa em direção ao Mar do Leste (Mar do Japão), segundo fontes oficiais sul-coreanas citadas pela agência de notícias sul-coreana Yonhap.

O lançamento segue-se ao teste nuclear realizado na segunda-feira (25) pelo regime comunista norte-coreano e ao posterior disparo de três mísseis de curto alcance, de cerca de 130 quilômetros.

Fontes sul-coreanas tinham assinalado que a Coreia do Norte preparava em sua costa ocidental o lançamento de novos mísseis KN-01, similares aos Silk Worm e com um alcance máximo de 160 quilômetros. O primeiro teste nuclear feito pela Coreia do Norte ocorreu em outubro de 2006.

Tensões

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Os novos disparos elevaram as tensões na região, especialmente com os vizinhos Coreia do Sul, Japão, Rússia e China. A Coreia do Norte já havia proibido a circulação de navios entre 25 e 27 deste mês em uma região do litoral ocidental da província de Pyongan do Sul, o que gerou discussões.

Fontes da defesa sul-coreana consideram que a Coreia do Norte tem no total cerca de 800 mísseis, entre eles alguns de longo alcance Taepodong, como o que lançou em 2006.

Investigação

De acordo com a Yonhap, a Coreia do Sul está realizando pesquisas com amostras de ar para detectar materiais radioativos em uma instalação que possui ao norte da capital Seul. “Poderíamos também enviar aviões para detectar radioatividade no espaço aéreo próximo à fronteira”, informou uma fonte que não quis ser identificada.

Em 2006, um avião norte-americano detectou a presença de material radioativo no Mar do Leste em apenas uma semana.

Condenação

Os líderes da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático) condenaram as ações da Coreia do Norte. Em comunicado, eles divulgaram que “o ensaio nuclear norte-coreano é uma clara violação dos acordos de negociações entre seus países e as resoluções do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas)”.

Ontem, o Conselho condenou o novo teste nuclear norte-coreano e disse que avaliará em breve a imposição de sanções e uma nova resolução.

Estados Unidos

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A Coreia do Norte acusou o governo norte-americano de conspiração contra o seu governo. A reação em Washington veio de Barack Obama, presidente dos Estados Unidos. Ele afirmou que a comunidade internacional deve tomar providências contra o que chamou de violação da lei internacional.

Segundo ele, a “Coreia do Norte está desafiando diretamente e de forma imprudente a comunidade internacional. O comportamento da Coreia do Norte aumenta as tensões e prejudica a estabilidade no nordeste da Ásia”.

Embaixada adiada

A tensão desencadeada na península pelo teste nuclear também determinou a decisão da diplomacia brasileira em adiar a abertura da primeira embaixada do Brasil na Coreia do Norte.

Segundo a assessoria de imprensa do Itamaraty, o embaixador designado Arnaldo Carrilho está em Pequim (China) e vai adiar sua chegada a Pyongyang, que estava prevista para esta semana. O nome de Carrilho foi aprovado no início de março pelo Senado para o cargo de embaixador na Coreia do Norte.

Posição brasileira

Em comunicado divulgado na tarde de segunda-feira, o governo brasileiro condenou o teste nuclear realizado pela Coreia do Norte. “O Brasil expressa a expectativa de que a RPDC (República Popular Democrática da Coreia) se reintegre, o mais rapidamente possível e como país não nuclearmente armado, ao Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares”, diz a nota.

“Da mesma forma, o governo brasileiro conclama a RPDC a assinar, no mais breve prazo, o Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares e a observar estritamente a moratória de testes nucleares”, acrescenta.