Jogo político

Copa pode salvar Dilma? Próximo adversário do Brasil mostra que sim

Conforme apontou colunista colombiana, presidente reeleito pode ter importantes motivos a agradecer os craques de sua seleção

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SÃO PAULO – Uma dos assuntos mais discutidos no campo da política brasileira, em tempos de Copa do Mundo, é até que ponto o evento esportivo mais popular do planeta pode influenciar na imagem dos governos envolvidos. No Brasil, não são poucos os especialistas que esperam que o mundial traga alguns efeitos ainda difíceis de se mensurar para a disputa dos candidatos por eleitores. Na noite da última quarta-feira (2), a própria pesquisa Datafolha já mostrou alguns sinais de como a Copa pode ajudar a presidente Dilma Rousseff.

Segundo levantamento feito entre terça e quarta-feira desta semana, Dilma passou a contar com 38% da preferência do eleitorado, ante 34% registrados na leitura de junho. Os candidatos da oposição também avançaram, porém em menor margem. O senador Aécio Neves (PSDB) subiu de 19% para 20%, enquanto o ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB) oscilou de 7% para 9%. No mesmo sentido, a aprovação da população sobre o evento esportivo também cresceu: foi de 51% para 63% em um mês, de acordo com o Datafolha.

Porém, não é só por aqui que a Copa parece ter capacidade de influenciar a opinião do eleitorado. Outro país que se mostrou bastante sensível ao desempenho de sua seleção no mundial é a Colômbia, próximo adversário da seleção canarinha pelas quartas de final – jogo disputado na próxima sexta-feira (4), às 17h, no estádio do Castelão, em Fortaleza (CE).

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Conforme apontou a colunista Juanita Léon, do Silla Vacia, o presidente colombiano reeleito, Juan Manuel Santos, também pode ter alguns motivos a agradecer os craques de sua seleção. James Rodríguez, Cuadrado, Armero e até o treinador argentino José Pékerman podem ser capazes de mudar significativamente o humor dos colombianos com o governo nos próximos meses. Da mesma forma, León ainda levanta algumas indagações sobre a possibilidade de Santos ter contado com um empurrãozinho de seus craques para derrotar a oposição nas urnas mesmo com um elevado índice de rejeição.

Conforme lembra a colunista do país-vizinho, a uma semana do segundo turno – ocorrido em 15 de junho -, 46% dos entrevistados pelo Ipsos afirmavam que não apoiariam a reeleição de Santos de forma alguma, e apenas 41% avaliavam sua imagem como positiva. A pesquisa Cifras y Conceptos falava em 55% de rejeição. León lembra que, um dia antes das eleições, a seleção colombiana estreou na Copa aplicando uma goleada de 3 a 0 contra a equipe da Grécia, após uma ausência de 16 anos no campeonato. Para a colunista, é possível que haja alguma relação entre a vitória da seleção e a conquista de Santos.

Em acordo com a fala de León, o repórter Arturo Wallace, em matéria publicada na BBC um dia antes das eleições, lembra de um par de estudos feitos nos Estados Unidos, que sugerem que os bons resultados esportivos às vésperas da ida da população às urnas pode beneficiar candidatos situacionistas. Um deles está no livro “For the Win! The Effect of Professional Sports Records on Mayoral Elections”, de Michael K. Miller.

Ainda muito ceticismo gira em torno de tal possibilidade. No entanto, espera-se que um bom desempenho dos colombianos possa trazer um pouco mais de otimismo para seus cidadãos com relação à economia e o próprio governo. Na avaliação da colunista do Silla Vacia, a possível janela de oportunidade gerada para Santos com uma eventual onda de euforia ainda maior dos colombianos com sua seleção pode durar dois meses, o que pode ajudá-lo em sem começo de novo mandato. Para nós, brasileiros, resta saber quais podem ser os efeitos da Copa do Mundo – tanto do evento em si como o desempenho da seleção canarinha – sobre as eleições no país do futebol. A resposta poderá vir nos próximos meses ou, sobretudo, em outubro.