Copa de outubro

Consultor traça 5 cenários para possíveis resultados da eleição; 2 seriam “desastrosos”

Dois cenários para a reeleição da atual presidente, dois em caso de vitória de Eduardo Campos e um para Aécio Neves são os destacados pelo sócio-diretor da Pezco Microanalysis como os possíveis para o pleito de outubro; campo econômico segue incerto

SÃO PAULO – Traçando paralelos com os anos coincidentes entre as Copas do Mundo e as eleições, a consultoria Pezco traçou os cenários para as eleições no final do ano de 2014, que tem prováveis três candidatos e cinco possíveis “consequências” .

O economista e sócio diretor Frederico Turolla destaca que, em 2002, ano da primeira eleição de Lula, a campanha presidencial deteriorou as expectativas de inflação, rompendo assim a relativa estabilidade do plano Real. Depois de atingir níveis alarmantes, as expectativas só se reverteram quando Lula apresentou seu compromisso em adotar políticas responsáveis.

Já em 2006 e 2010, ressalta Turolla, as eleições presidenciais foram relativamente pouco relevantes para o mercado financeiro e para as perspectivas da economia. Em 2006, a perspectiva de reeleição de Lula deixava poucas dúvidas que a sua plataforma neoliberal, assumida após a Carta ao Povo Brasileiro de 2002, seguiria intacta.

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 Além disso, na percepção dos mercados, o tripé econômico – metas de inflação, câmbio flutuante e superávit primário – que garantiram a estabilidade macroeconômica desde 1999 estaria assegurado também em 2010. Isso apesar da gestão do ministro da fazenda, Guido Mantega, já mostrar alguns “flertes” com práticas mais heterodoxas, usando o contexto da crise mundial como justifica.

Assim, a percepção dos mercados era de que Dilma mantivesse estas práticas. Porém, a administração da presidente quebrou essas expectativas. E não só porque ela relaxou o tripé da estabilidade econômica, mas também porque deixou clara a percepção sobre a mudança em direção a uma nova e perigosa matriz macroeconômica, mais frouxa e menos rigorosa com a estabilidade, avalia Turolla.

Os cinco cenários possíveis
“Diante dessa nova percepção, não pode ser surpresa que as eleições de 2014 serão, novamente, emocionantes”, avalia o economista ressaltando que há uma grande dificuldade em prever o ambiente em 2015. E ressalta que o mais interessante é que o número de cenários possíveis supera o número de candidatos competindo, com cinco cenários para os três mais prováveis candidatos: a própria Dilma Rousseff, do PT, Aécio Neves, do PSDB , e Eduardo Campos, do PSB.

Tabelaeleições

Vitória de Dilma: dois possíveis cenários podem ser traçados com a vitória da atual presidente: no cenário chamado “dobrar a aposta”, iríamos “ainda mais rapidamente em direção ao tipo de práticas macroeconômicas que conduziram a economia argentina às suas agruras atuais”, ressalta, podendo comportar um crescimento de curto prazo, mas que cobrará um preço pesado num período mais longo. Com isso, o ano de 2015 não seria tão ruim, mas seria algo parecido com os primeiros anos da “aventura argentina”.

Já no cenário “Dilma faz o ajuste” ela conduziria, já  no primeiro ano do novo mandato, os pesados ajustes necessários para combater os excessos dos  últimos anos. “Neste cenário, 2015 seria um ano duro, de ajustes  dolorosos, mas o mercado já anteciparia um cenário melhor para os  próximos anos. As empresas teriam mais segurança para investir,  melhorando-se o horizonte, e teríamos um ciclo mais positivo à  frente”, ressalta, avaliando que este é hoje o cenário mais provável, mas pode perder este status rapidamente.

Vitória de Aécio: menos provável que os dois cenários anteriores, a eleição de Aécio traria uma tendência de maior compromisso com a estabilidade macroeconômica e com práticas fiscais e monetárias mais restritivas, aponta o economista, sendo mais parecido com o segundo cenário da reeleição de Dilma. Porém, a reação dos mercados no sentido positivo seria amplificada, uma vez que a credibilidade de Dilma na gestão macro e microeconômica já foi  seriamente comprometida com as iniciativas dos últimos anos, avalia.

Assim, seria possível que mesmo o período mais duro do ajuste em 2015  seja suavizado e até de um bom crescimento, pois as expectativas futuras trariam estímulo positivo.

Vitória de Campos: como no caso de Dilma, dois cenários são traçados para a vitória de Campos. O quarto cenário, de “Campos faz o ajuste”, se assemelharia ao de Dilma para a realização de ajustes fortes em 2015. O economista ressalta, contudo, que a falta de um histórico que  permita antever com segurança a postura efetiva desse governo  faria com que, mesmo com ajustes duros e necessários, não  se deva esperar um ambiente tão positivo quanto no cenário Aécio.

Já o quinto cenário – e o menos provável de todos – seria um governo Campos mais populista, o que traria o maior impacto negativo na economia, “pois tiraria a âncora política  do histórico PSDB-PT que, bem ou mal, assegurou a estabilidade por doze anos e passou o poder a um grupo novo e incerto”, avalia.

Turolla ressalta que a Copa da política brasileira será, em primeira rodada, em 5 de outubro, e se chegar à grande decisão, em 26 de outubro. “Nesta Copa, o resultado é altamente incerto”, avalia.

E avalia ainda que a maior especificidade é a amplitude do espectro de resultados econômicos e financeiros que pode ensejar, destacando que está difícil projetar o cenário econômico pós-eleitoral. Assim, ressalta, a emoção volta à economia, refletindo em uma enorme incerteza num cenário em que não se pode contar com a ajuda dos investimentos e nem das perspectivas de crescimento.