Conheça os partidos que apóiam Lula

Diante da forte rejeição á candidatura de Lula, foi montada uma coligação heterogênea que inclui além do PT, o PL, o PCB, o PC do B e o PMN

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SÃO PAULO – A liderança de Luís Inácio Lula da Silva nas pesquisas ao longo de todo o primeiro semestre de 2002 aumentou consideravelmente a importância do candidato petista na corrida presidencial. Para muitos analistas políticos esta é a maior chance de vitória de Lula.

No entanto, ainda permanece uma forte rejeição ao candidato, em virtude principalmente de seu passado de militância, defendendo medidas radicais, de caráter anticapitalista. Desta forma, uma das estratégias da campanha de Lula foi organizar uma coligação extremamente heterogênea.

Coligação coloca interesses políticos acima de concepções de programa

A Coligação Lula Presidente resulta de acordo entre o PT, o PC do B, o Partido Comunista Brasileiro, o PL e finalmente o Partido da Mobilização Nacional. Contudo, após o PT, o partidos mais representativo é o PL, agremiação do candidato a vice de Lula, José Alencar.

A viabilidade de uma união de partidos antagônicos como a realizada em torno da candidatura de Lula é explicada pela necessidade de atrair parcela do empresariado, bem como grupos religiosos de direita, neutralizando os temores em virtude das tradicionais propostas de extrema esquerda de facções do PT e, principalmente do PC do B e PCB.

PT nasce a partir do movimento sindicalista

A formação do atual quadro partidário brasileiro remonta-se ao final da ditadura, quando, dentro de um lento processo de distensão, organizado pelo alto comando militar, o bipartidarismo foi extinto e adotou-se a partir de 1979 o pluripartidarismo.

Desta forma, um grupo de sindicalistas, não pertencentes até então à classe política brasileira decidiu fundar um novo partido dos trabalhadores em 1980, com o ideal de ser uma agremiação “de baixo para cima”, não aceitando como líderes partidários políticos, especialmente os herdeiros do trabalhismo de Getúlio Vargas, ou mesmo estudantes.

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Os fundadores do Partido dos Trabalhadores foram os líderes sindicais Luís Inácio Lula da Silva, pertencente ao sindicato dos metalúrgicos, Jacó Bittar, dos petroleiros e Olívio Dutra, do sindicato dos bancários gaúchos.

Partido consolidou gradativamente sua posição oposicionista

Até 1981, o PT possuía apenas seis deputados federais, evoluindo no ano seguinte para um bloco de cinco deputados e um senador.

Durante este intervalo, o PT sofreu grandes transformações internas, com a tentativa sem sucesso da Convergência Socialista de dominar as eleições de vários diretórios estaduais. A maior liderança do partido é de Lula, candidato permanente do partido à Presidência da República.

Lula é o candidato permanente do PT

Em 1989, defendendo a moratória da dívida, o rompimento com o FMI, Lula foi derrotado por Fernando Collor de Mello no segundo turno das eleições, obtendo 47% dos votos válidos. No primeiro turno, o candidato petista havia conseguido 17,2% da preferência do eleitorado.

Em 1994 e 1998, Lula obteve, respectivamente, 27% e 31,7% dos votos válidos. Vale frisar que, a despeito de inúmeras passagens por administrações municipais e estaduais, o PT nunca fez parte de nenhum governo, permanecendo sempre na oposição.

Aliança com o PL visa aumentar representatividade

Atualmente, o Partido dos Trabalhadores é composto principalmente por trabalhadores, empregados não braçais e lavradores, com especial destaque para os bancários e metalúrgicos. Há também importante minoria composta por intelectuais com origem em camadas mais humildes e na própria classe média.

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Desta forma, a ausência de empresários dentro do quadro partido justificou politicamente a aliança com o PL, visando ampliar a representatividade da candidatura para setores sem grande expressão no PT, como o empresariado e grupos evangélicos.

Por outro lado, a idéia de coligar-se com o PL, mesmo com a crítica de inconsistência ideológica, dada a presença na coalisão do PC do B e o PCB, procura abrandar os temores de que uma eventual gestão petista retome suas propostas anticapitalistas, como, por exemplo, decretar a moratória da dívida externa.

Melhor momento do PL foi durante eleições de 89

O Partido Liberal foi fundado em 1985, pelo deputado federal carioca Álvaro Valle, representando parcela do empresariado nacional. O auge do partido ocorreu durante as eleições de 89, quando o seu candidato, o empresário Afif Domingos chegou a estar na frente de ícones da política brasileira como Mario Covas e Ulisses Guimarães.

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Nas eleições de 94 o partido não lançou candidato, tendo apoiado a candidatura de Ciro Gomes em 1998. Vale ressaltar que atualmente, além de setores ligados à indústria, o PL também tem entre seus quadros importantes figuras da Igreja Universal do Reino de Deus.

PMN defende rompimento definitivo das relações coloniais

O Partido da Mobilização Nacional surgiu em 1985, defendendo como principal bandeira ” dar continuidade ao único projeto político da nossa história, a inconfidência mineira”. Para isto o partido tem como mote de suas propostas destruir as relações colônias que caracterizam a sociedade brasileira.

PCB e PC do B defendem ruptura com modelo atual

O Partido Comunista Brasileiro defende os princípios do marxismo-leninismo e a luta pelo socialismo. Além disto tem como espelho “o Estado dos Trabalhadores, representado pela URSS, que, apesar de dificuldades, limitações e, mais recentemente, erros de encaminhamento, mostrou ao mundo o vigor do Socialismo, com extraordinários avanços técnicos e científicos, que propiciaram à sociedade soviética profundas transformações sociais, que se refletiram em melhores condições gerais de vida para todo o povo soviético”.

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Já o Partido Comunista do Brasil (PC do B) surgiu em 1982 como uma dissidência do estão clandestino PCB e foi legalizado juntamente com este em 1985. Sua maior bandeira é implantar o “socialismo, renovado e com feições brasileiras”. Além disto, prega a ruptura com o atual modelo, considerado neoliberal.

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