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SÃO PAULO – Agrupando forças consideradas antagônicas, a candidatura de Ciro Gomes é caracterizada por conseguir colocar lado a lado lideranças políticas com enormes diferenças ideológicas, como é o caso, por exemplo, dos socialistas Roberto Freire e Leonel Brizola e os direitistas Antonio Carlos Magalhães e Jorge Bonhaussen do PFL. Apesar de pertencer ao PMDB o ex-presidente da república José Sarney também apóia a candidatura Ciro Gomes, assim como sua filha, a ex-candidata pelo PFL Roseana Sarney.
Desta forma, as forças de sustentação de Ciro Gomes estão alicerçadas na insatisfação com o governo FHC, que são motivadas por diferenças causas. A facção de esquerda da Aliança alimenta grandes divergências ideológicas com a política do atual presidente.
Já as alas de direita da coligação têm como principal motivo o abrupto rompimento da aliança PSDB-PFL, depois do escândalo envolvendo a candidata do PFL Roseana Sarney. O PFL que foi a base de sustentação do governo Fernando Henrique acabou rompendo com o governo o que levou muitos setores do PFL a apoiar a candidatura Ciro Gomes.
Atual quadro partidário começa a tomar formas no início dos anos 80
A formação do atual quadro partidário brasileiro remonta-se ao final da ditadura, quando, dentro de um lento processo de distensão, comandado pelo governo militar, o bipartidarismo foi extinto.
Desta forma, o surgimento do pluripartidarismo abriu espaço para a formação de novas legendas, desenhando lentamente, ao longo dos últimos 25 anos, o atual quadro partidário brasileiro.
Coligação reunifica trabalhistas históricos
A coligação formada ao redor da candidatura de Ciro Gomes reunifica os trabalhistas históricos, rachados desde o fim do bipartidarismo, com a criação de duas legendas rivais, o PDT e o PTB.
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Desde o início de 1979, os grupos trabalhistas visavam a criação de um novo Partido Trabalhista Brasileiro, reavivando o antigo PTB da Terceira República. Contudo, a polarização entre os líderes Leonel Brizola e Ivette Vargas, dividiu o partido, lançando uma disputa judicial pelos direitos sobre a histórica sigla.
A grande discussão estava em torno da ideologia do novo partido. Enquanto Ivette Vargas defendia uma concepção mais abrangente de trabalhismo, propondo criar um uma legenda que acolhesse inclusive elementos da ex-Arena, o grupo brizolista propunha um partido mais depurado, com um programa similar à social-democracia européia.
PTB originou-se de grupo liderado por Ivette Vargas
A polarização entre Ivette Vargas e Leonel Brizola se intensificou de tal maneira que os setores da classe política ligados aos trabalhadores acabaram por fender-se de maneira irreversível, cabendo ao grupo de Ivette, embora numericamente menor, a legenda PTB.
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Assim, o partido possuía apenas cinco deputados em 1981, constituindo-se predominantemente por políticos com idade elevada e maior penetração popular. Vale frisar que, embora o PTB tenha conseguido sua expansão ocasionalmente, a sigla nunca se firmou entre as maiores do Brasil, sendo considerada hoje um partido de porte médio.
Além disto, embora tenha lançado o então senador Affonso Camargo, que obteve apenas 0,6% dos votos válidos, em 1989, o PTB não teve candidatos próprios nas eleições seguintes, participando da coligação que elegeu por duas vezes o Presidente Fernando Henrique Cardoso.
Principal fundador do PDT é Leonel Brizola
Segundo maior partido de oposição do Brasil, o PDT foi fundado no início da década de 80 em função da decisão favorável do TSE ao grupo liderado por Ivette Vargas, levando o grupo comandado por Leonel Brizola a fundar o Partido Democrático Trabalhista.
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O quadro de partidários do PDT é também caracterizado pela idade média alta, tendo poucos empresários, embora paradoxalmente tampouco possua elementos originados das classes trabalhadoras. A composição social dominante é formada por um grupo de profissionais liberais, seguidos de uma minoritária parcela de empresários urbanos.
Eleições de 1989 marcaram apogeu do PDT
Dividindo ao longo da década de 80 a posição de grande partido de oposição com o PT, o PDT lançou em 1989 a candidatura de Leonel Brizola à Presidência da República, que acabou sendo o terceiro mais votado no pleito, recebendo 16,5% dos votos válidos.
No entanto, cinco anos depois, Brizola caiu para a Quinta posição, com diminutos 3,2% da preferência do eleitorado. Já em 1998, o PDT se uniu ao PT, com o principal líder do partido candidatando-se a vice, na chapa comandada por Lula.
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PPS nasceu com o fim do comunismo
Partido de menor expressão dentro da coligação, a legenda de Ciro Gomes surgiu em 1992, quando uma facção do Partido Comunista Brasileiro, liderada pelo Senador Roberto Freire propôs a mudança do nome do partido, bem como a revisão de seu programa, em função do esgotamento do comunismo.
Contudo, em virtude das disputas internas, o partido acabou dividido, levando o grupo reformista a se desligar do partido, dando origem ao atual Partido Popular Socialista, legenda de esquerda, porém propondo uma renovação.
Por sua vez, a ala dominante do antigo PCB, defensora de um programa inspirado nas idéias de Marx e Lenin mantém até hoje a sigla, apoiando a candidatura de Luís Inácio Lula nestas eleições.