Pós-denúncia

‘Congressualismo de coalizão’: o regime que se desenha após Temer barrar a 2ª denúncia na Câmara

Com Rodrigo Maia cada vez mais forte, o presidente terá que se entender com ele para aprovar as reformas

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SÃO PAULO – Como já esperado, o presidente Michel Temer conseguiu barrar a denúncia na Câmara dos Deputados contra ele. Contudo, o placar da votação menor na comparação com a primeira denúncia – de 251 votos a favor e 233 contra ante 263 votos a favor e 227 contra na votação de agosto – é alvo de análises, com o mercado analisando qual será a força do governo para aprovar as reformas estruturais. 

A LCA Consultores destaca que o governo mais uma vez conseguiu vencer uma batalha importante em uma quarta-feira bastante tumultuada, com a confusão se elevando após a notícia da internação de Temer.  “Faltou pouco para a segunda sessão cair, o que seria um desastre enorme para o governo, pois deixaria a pauta da câmara travada por algumas semanas tendo em vista a sequência de feriados adiante”, destaca a consultoria.

Os analistas políticos da LCA apontam que o placar foi menor (251 contra a denúncia e 233 favoráveis), “mas não tanto como fazia crer a falta de quórum pela manhã e o jeito preocupado dos líderes da base aliada”. Com isso, a votação foi o suficiente para manter acesa a expectativa de que o governo ainda tem alguma chance de fazer avançar a pauta fiscal até o final do ano. Isso inclui uma reforma da previdência, mas “bastante aguada”.

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Para tanto, um outro fator entra em questão. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), politicamente cada vez mais forte, entra como um fator importante e Temer precisa mostrar entendimento com ele. 

“A pauta governista terá que ser construída junto com Maia, numa espécie de ‘congressualismo de coalizão'”, avalia a LCA. Neste sentido, vale destacar a fala dele na noite de ontem. O deputado afirmou que a Casa voltará a discutir a Reforma da Previdência a partir de novembro. Porém, para que seja aprovada, a Reforma da Previdência precisará ser enxugada e focada em aspectos considerados essenciais para “acabar com a maior transferência de renda do mundo de pobres para ricos”, afirmou. Ele destacou a fixação da idade mínima e as regras para servidores públicos.

 Segundo Maia, o processo de análise da denúncia contra Temer na Câmara intensificou o desgaste do presidente com deputados de partidos aliados ao governo. No entanto, ele avalia que Temer saberá reconstruir sua base aliada na Casa. A reconstrução da base será crucial para definir o futuro das reformas. 

(Com Agência Brasil)