Conflitos poderiam levar petróleo a US$ 140 e Danske aponta consequências

Analistas avaliam que recuperação da economia está mais resistente, porém "o imprevisível" não deve ser deixado de lado

SÃO PAULO – Enquanto o mercado ainda espera as possíveis soluções para os conflitos políticos na Líbia, analistas do Danske Bank avaliam os riscos de um contágio para outros grandes produtores de petróleo da região, especialmente a Arábia Saudita. Um agravamento da crise e a consequente disparada do petróleo seriam suficientes para conter a recuperação global?

“Felizmente a economia global está mais resistente agora e nós não esperamos que a recuperação seja descarrilhada por agitações. Contudo, a inceteza nessa região é grande”, aponta o banco dinamarquês.

A equipe de análise acredita que apenas em casos extremos haveria o retorno da recessão, com a cotação do barril de petróleo atingindo valor entre US$ 175,00 e US$ 200,00 por um período superior a três meses.

PUBLICIDADE

No mais, um cenário prevendo complicações mais moderadas, com o preço do barril ao redor de US$ 140,00 (+40% em relação à cotação atual) seria contemplado por pressão inflacionária e queda do poder de compra. 

Árábia Saudita é ponto chave
Para desencadear tal processo, seria indispensável que a crise política chegasse até a Arábia Saudita, maior produtor mundial de petróleo e o único país capaz de compensar qualquer rompimento na produção em qualquer outro lugar.

Com isso, as autoridades monetárias tanto da Europa se veria obrigada a elevar os juros básico, o que por sua vez aumentaria a rentabilidade dos títulos públicos. O Fed, por sua vez, provavelmente ficaria mais preocupado com o efeito negativo sobre o crescimento e optaria por manter o juro de curto prazo baixo, embora no longo prazo os yields tenderiam a subir, com o temor da inflação em jogo.

No front corporativo, projeta-se que companhias iriam conter investimentos, desencadeando uma redução no ritmo da demanda e contribuindo para que a queda do desemprego fosse freada.

Até a China?
Apesar de distante, a China também é tida como um possível campo para expansão da insatisfação popular propagada pela alta no preço dos alimentos. Entretanto o forte crescimento econômico e a considerável melhora de qualidade no padrão de vida da população reduzem o potencial de risco. Juntam-se a estes fatores o rígido sistema de controle social e político do país.

Ainda assim, o Danske alerta que “o mundo se provou por muitas vezes imprevisível neste aspecto” completando que “qualquer tumulto na China criaria incertezas significantes e levaria companhias a pôr o pé no freio novamente”.