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Política

Concessões de Dilma vs Privatizações de FHC: “diferença está no nome”, diz economista

Para Ilan Goldfajn, "governo percebeu que precisa investir, mas não sabe com fazer da melhor forma"; setor de infraestrutura é um dos que mais sofre

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SÃO PAULO – Muito criticada principalmente pelos partidos da esquerda brasileira, a política de privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso parece ter muito em comum com a nova estratégia da gestão da presidente Dilma Rousseff no setor de infraestrutura – as concessões.

Na opinião do economista-chefe do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn, as únicas coisas que diferenciam as duas medidas são “o nome e o timing”. O que antes era repudiado veementemente pelas atuais lideranças que comandam o país hoje é visto como única alternativa para solucionar o problema crônico no segmento.

Veja também: Política de concessões de Dilma está “endireitando” o governo?

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“Quando você olha a qualidade da infraestrutura, vê que o Brasil está em um dos últimos do ranking. É claro que Angola está pior, mas não podemos estar nesta situação. É isso que está limitando [o crescimento do país]. O governo percebeu que precisa investir, mas não sabe como fazer da melhor forma”, argumentou Goldfajn.

Mudanças no modelo de crescimento
De acordo com o economista, antes era possível o País crescer empregando a população, graças às taxas de desemprego na faixa dos 15%. Hoje, com índices mais próximos do pleno emprego, são necessárias novas alternativas para puxar o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro para cima.

“A capacidade de crescer só colocando gente para dentro (empregando a população) não funciona mais. Hoje em dia, o crescimento do Brasil vai depender da produtividade – de, com as mesmas pessoas, conseguir produzir mais”, apontou Goldfajn, que deu o exemplo da situação da safra da soja neste ano, que, com um dos melhores níveis de produção da história, foi prejudicada pelas dificuldades de escoamento.

Ilan Goldfajn destaca como fatores limitantes para um desenvolvimento mais acelerado da economia brasileira os setores de infraestrutura e educação. Em relação ao primeiro deles, o Brasil já se mostra mais lúcido, mas com muita coisa a aprender no que diz respeito ao sucesso dos leilões, oferecendo condições atraentes para as empresas, aliada ao principal: o interesse nacional.

“Para isso, você precisa fazer leilão; para dar certo, precisa ser bem sucedido. O governo começou por duas rodovias que considera as melhores e mais fáceis: uma foi bem sucedida e a outra não”, explicou.

O economista-chefe do Itaú ainda opinou sobre o que, para ele, seria uma sutil diferença entre as concessões de Dilma e as privatizações de FHC: a velocidade com que as medidas foram tomadas em cada um dos governos.

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“As privatizações do FHC foram feitas logo. Já as concessões foram feitas como última opção”, destacou Goldfajn sem entrar na polêmica questão das acusações de irregularidades nas privatizações durante o governo que antecedeu a sequência petista no poder.

Do público para o privado
A transferência de um compromisso da agenda do setor público para o privado pode contribuir na eficiência e na produtividade do setor, uma vez que há empresas mais especializadas nos mais diversos segmentos em comparação com membros do governo. Além disso, o economista do Itaú destacou que os riscos de um investimento em um porto, aeroporto, rodovia ou qualquer outra obra voltada à melhoria da infraestrutura do País podem ser grandes, tendo em vista a extensão dos projetos – isso dificulta a ação do poder público, onde a burocracia pode comprometer ainda mais o andar dos investimentos no setor.

“O político só assina o projeto com 120% de certeza, mas não existe projeto de 30 anos que tenha essa probabilidade. Tem risco, é longo. Isso fez com que as concessões fossem a última coisa a ser testada. Tentou-se fazer pelo governo, o setor público não conseguiu, e fizeram-se concessões”, argumentou o economista-chefe do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn.